Com sociedade de propósito específico, o município do Agreste pernambucano revela-se polo de enólogo, com condomínio, vinícola e haras
Lucas Moraes
Publicado em 03/07/2026 às 6:00
| Atualizado em 03/07/2026 às 6:08
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A cidade de Gravatá, tradicional refúgio de campo localizada a apenas 80 quilômetros do Recife, no Agreste de Pernambuco, começa a redefinir o seu perfil econômico e urbanístico. O município passou a concentrar um investimento que une de forma inédita o luxo imobiliário e a viticultura de ponta. Impulsionado pela holding GMG Premiere, o mercado regional ganha uma nova dinâmica com o desenvolvimento do Vin Club Premiere, um complexo residencial de altíssimo padrão estruturado para transformar o potencial da topografia e cultura local em uma referência para o mercado nacional de segunda residência agregada a serviços exclusivos.
O modelo de negócio adotado aposta na Sociedade de Desenvolvimento Imobiliário (SDI). Por meio desse ecossistema, são criadas sociedades de propósito específico (SPEs) sob diferentes modalidades, como limitadas (LTDA), sociedades em conta de participação (SCP) ou sociedades anônimas (S.A.) de capital fechado. Essa engenharia jurídica e financeira permite que os investidores atuem de forma transparente e participem efetivamente de todas as etapas do projeto, desde o planejamento até a entrega definitiva das obras. Cada estrutura é vinculada unicamente ao projeto, o que eleva o foco e mitiga riscos patrimoniais.
O complexo imobiliário foi projetado de maneira integrada à paisagem. Na primeira fase, o condomínio contará com 37 residências exclusivas de alto padrão, cujas metragens variam de 150 a 324 metros quadrados. Todas as unidades serão equipadas com piscina privativa, deck e gazebo, com as fachadas estrategicamente voltadas para os vinhedos e para a estrutura de produção de vinhos. O projeto arquitetônico leva a assinatura do arquiteto Sandro Guedes, do Studio SG55, enquanto a execução da engenharia está a cargo de Lucian Fragoso, da Monthé Engenharia, ambos sócios no empreendimento.
Para além das moradias, a infraestrutura reserva uma segunda etapa voltada à criação de cavalos da raça Mangalarga Marchador, utilizando um plantel próprio que inclui um campeão nacional como matriz genética, além da verticalização e um empreendimento hoteleiro. A coordenação executiva estima que todo o complexo esteja concluído e entregue até o encerramento de 2028.
Paulo Laureano, Beatriz Guerra e Guilherme Guerra – DIVULGAÇÃO
O diferencial técnico do projeto reside no aproveitamento das condições climáticas e de solo de Gravatá para a elaboração de rótulos de excelência. “O vinhedo partiu da ideia de termos uma âncora, um diferencial no complexo de empreendimentos. Tomou uma dimensão tão grande que chegamos ao complexo imobiliário e de viticultura”, explica a o sócio-fundador da GMG Premiere, Guilherme Guerra.
Sob a gestão técnica do enólogo português Paulo Laureano — eleito Enólogo do Ano em Portugal e também sócio do empreendimento —, estão sendo cultivadas castas finas selecionadas, como as brancas Sauvignon Blanc, Alvarinho e Chardonnay, e as tintas Merlot, Cabernet Franc, Syrah e Touriga Nacional. O manejo prevê uma produção limitada a uma única safra anual, resultando em uma estimativa de 36 mil garrafas por ano, entre brancos, rosés, tintos e espumantes, cujas primeiras unidades oficiais devem chegar ao mercado em 2028. “Não queremos vender vinho, queremos vender algo que dê um prazer imenso”, diz Paulo.
Ele observa que o Brasil está em “contraciclo com todo o resto do mundo”, com o consumo crescendo e uma expansão na “qualidade dos vinhos” que ele consideraria impossível há 30 anos atrás. Comparando o consumo brasileiro (pouco mais de 2 litros per capita) com o de Portugal (quase 60 litros), ele afirma que “há aqui muita marcha para crescimento”.
Privilegium: o clube exclusivo de vinhos
Como antecipação dessa transformação em Gravatá, a GMG Premiere expandiu sua atuação com o lançamento no Brasil do Privilegium. Trata-se de uma prestigiada confraria internacional de vinhos de alto padrão, originalmente criada em Portugal e que tem em Pernambuco a sua primeira e única operação em território brasileiro.
Sob o slogan de seletividade “Not for the average wine lover”, o clube funciona como um ecossistema de experiências estritamente restrito, operando com um quadro limitado de membros e acesso realizado apenas por meio de lista de espera. O Privilegium foi desenhado para atuar além do comércio convencional de bebidas, estruturando-se com uma importadora e distribuidora independente própria.
Esse arranjo logístico garante ao grupo o controle absoluto sobre a cadeia de suprimentos, assegurando a autenticidade e a exclusividade de rótulos raros. A dinâmica para os associados baseia-se em entregas bimestrais que totalizam seis remessas por ano.
Cada envio contém duas garrafas do mesmo rótulo selecionado, acompanhadas de fichas técnicas detalhadas e material audiovisual gravado por sommeliers, criando um ritual completo de imersão técnica. A curadoria técnica das safras também está sob a responsabilidade de Paulo Laureano, que utiliza o clube para introduzir no mercado brasileiro vinhos raros, safras históricas já esgotadas no comércio regular ou lançamentos antecipados.
Segundo o enólogo, o objetivo é transformar o associado em um profundo conhecedor da cultura vitivinícola de forma natural e qualificada, conectando o consumidor às histórias dos produtores e às melhores práticas de harmonização.
O clube oferecerá “safras que já não existem no mercado. É oportunidade de provarem vinhos em primeiro (antes de chegarem ao mercado) e terem acesso a produtores muito pequenos que dificilmente chegariam ao Brasil por outros meios”, reforça Paulo Laureano.
O pilar de relacionamento do Privilegium contempla ainda uma agenda rigorosa de eventos presenciais, harmonizações e encontros de alta gastronomia focados em networking qualificado para uma rede seleta de convidados. A gestão operacional dessa agenda de experiências de alto padrão é comandada por Luciana Mapurunga, com o núcleo de gestão composto por Wagner Mendes e coordenação da diretora de marketing Beatriz Guerra. O objetivo é utilizar a cultura enogastronômica para aproximar pessoas com o mesmo padrão de exigência e estilo de vida, consolidando a comunidade que habitará o futuro complexo imobiliário no Agreste.



