Investigação do STF e Polícia Federal está só começando, mas potencial de estrago no Congresso pode ser visto pela reação das casas

Investigação do STF e Polícia Federal está só começando, mas potencial de estrago no Congresso pode ser visto pela reação das casas

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Pouca gente lembra, mas o escândalo que ficou conhecido como Operação Lava Jato começou no dia 17 de março de 2014, quando a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão num posto de serviço em Brasília. Três dias depois, o diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, foi preso e duas semanas depois, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, designou a força-tarefa para analisar o material apreendido.

A Lava Jato, como se sabe, virou um ícone internacional de combate à corrupção e levou à devolução de R$ 6 bilhões roubados da Petrobras e à prisão de dezenas de pessoas, entre elas o presidente Lula. Mas acabou sendo anulada integralmente depois que o STF viu suspeição da condução do processo pelo juiz e atualmente senador (PL-PR), Sérgio Moro. Lula virou presidente pela terceira vez.

Nova Lava Jato

Há pouco mais de uma década, o Brasil está diante de um novo escândalo, igualmente envolvendo deputados e senadores, prefeitos e empresários corruptos, que sequer foi dimensionado . Embora atualmente tramitem no STF entre 80 e 90 investigações e inquéritos envolvendo suspeitas sobre deputados e senadores por desvios e irregularidades em emendas parlamentares.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), por exemplo, já apura 13 casos de desvios de emendas por parlamentares. E o ministro Flávio Dino acabou virando coordenador das ações em tramitação, tendo concedido liminares e suspendido a execução dos recursos.



Lula ao ser solta da Polícia Federal em Curitiba (P)R). – Divulgação

Reunindo ações

Como na Lava Jato, a primeira grande Ação Penal (nº 2670) julgada pelo STF tratou da cobrança de propina para liberação de emendas de três deputados do Nordeste (Josimar Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa) e do ex-deputado João Bosco da Costa (PL-SE), condenados em 3 de dezembro de 2025 por unanimidade, pela Primeira Turma do STF, que recebeu a denúncia da PGR contra os deputados federais.
No dia 17 de março último, a Primeira Turma do STF, formada pelo relator do caso, Cristiano Zanin, e pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino, condenou os acusados de corrupção passiva pelos desvios na destinação de emendas parlamentares.

Dino coordenando

O ministro Flávio Dino assumiu os processos e, entre outras medidas, determinou que, a partir de 2026, todas as emendas tenham identificados publicamente os deputados autores da destinação e do destinatário, além do projeto a ser financiado.

Entretanto, o ministro do STF decidiu investigar também o passado do que se tornou conhecido como Orçamento Secreto que passou a existir no OGU desde 2022. Foi quando as emendas RP9 deixaram de ser um mecanismo de correção de erros do OGU para se tornarem um veículo de transferência direta às prefeituras e aos órgãos federais, sem qualquer origem ou destino conhecidos. Flávio Dino está aproveitando as ações em tramitação no STF para ir atrás dessa montanha de dinheiro.


Luiz Silveira/STF

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flavio Dino, relator da ação do teto constitucional do funcionalismo público – Luiz Silveira/STF

Emendas individuais

Segundo o Portal da Transparência, entre 2022 e 2026, a União já empenhou R$ 190,13 bilhões em 30.649 emendas e pagou R$ 127,37 bilhões. Em pagou R$ 86,86 bilhões individuais. Aquela em que o controle é dos deputados.

Para se ter uma ideia de como essa pulverização é ruim para o país, basta dizer que os parlamentares só destinaram, no período, R$ 28,16 bilhões (do total de R$ 116,03 bilhões) como emendas de bancada que em geral são pedidas pelos governadores para seus projetos mais estruturadores, mostrando uma total desconexão com os interesses estratégicos de seus próprios estados.

Recursos pagos

O ministro já sabe que, devido à profusão dos recursos pagos, não apenas os deputados e senadores escolheram para quem mandar as verbas. A Polícia Federal identificou que os presidentes de partidos e até deputados sem mandato escolheram o destino do dinheiro.
Ao menos dois deles (Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara — cassado por corrupção —) também destinaram emendas. Nesta quarta-feira (15), Flávio Dino intimou os presidentes de todos os partidos a se explicarem.


Divulgação

Josimar Maranhãozinho, Pastor Gil deve assumir comando do PROS no MA. – Divulgação

Investigações

Depois de oito meses de investigação sob seu comando, o ministro já sabe que terá pela frente um volume colossal de investigação tal qual teve o juiz da 13ª Vara de Curitiba, Sérgio Moro. A diferença é que claramente o escândalo das emendas já é maior que os desvios da Lava Jato e pode superar também o escândalo do Banco Máster, de Daniel Vorcaro.

Dificilmente, até as eleições e especialmente depois delas, não teremos ações matinais da Polícia Federal, que hoje também está ocupada com outras ações relacionadas ao crime organizado, à exportação de drogas no atacado, além das ações relacionadas às bets e às fintechs, que acabaram sendo usadas pelas organizações criminosas como veículo de lavagem de dinheiro, não raro, vindo das drogas.

Rastreabilidade

Porém, para Flávio Dino, a missão de dar, no mínimo, condições para que o dinheiro das emendas seja rastreado vai consumir dezenas de horas de investigação pela profusão de casos. A maior parte é fácil de constatar pelo total descuido dos deputados ao enviar dinheiro para seus prefeitos que acreditaram que o dinheiro público não tinha rastro.

O ministro sabe que haverá resistência. Inclusive, dos presidentes da Câmara e do Senado que desde 2022 vêm se beneficiando do poder das emendas parlamentares.


Beto Barata/PL

Valdemar disse ainda que “é normal” a prática de sugerir a aplicação das emendas – Beto Barata/PL

Cunha e Valdemar

Ou seja, se presidentes de partidos como Valdemar Costa Neto e até ex-deputados como Eduardo Cunha conseguiram destinar emendas a cidades de seu interesse ou do partido, por que David Alcolumbre e Hugo Mota não exerceram seu poder para também direcionar emendas para municípios de seu interesse?

Resta saber se, como o crescimento das ações de investigação da Polícia Federal, as lideranças partidárias, deputados e senadores, além de presidentes de partidos, passarão incólumes às investigações da Polícia Federal, da PGR e de Flávio Dino.

Peixes pequenos

No final, parece claro que as condenações de Josimar Maranhãozinho, o pastor Valdemir de Lima Sousa (ambos do PL-MA), dois deputados do chamado baixo clero, abriram uma espécie de “Caixa de Pandora da Corrupção”, em que as emendas parlamentares se tornaram no Brasil.

Especialmente pelo potencial de produzir corrupção em larga escala no varejo em centenas de cidades, parte delas paga em dinheiro vivo em agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica em pequenas cidades do interior.


Magnific / reprodução

Crescimento da inadimplência desacelera no Brasil, revela Serasa – Magnific / reprodução

Inadimplência

O Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa do mês de junho mostra que a inadimplência no país voltou a crescer depois da desaceleração vista em maio. O número de brasileiros negativados avançou 0,28% no mês. Em junho, mais de 234 mil novos CPFs entraram no cadastro de negativados; apenas sete dos 27 estados do país registraram queda no número de inadimplentes, ante 14 estados em maio. Pernambuco está entre os sete estados que reduziram a inadimplência.

Rede de Inovação

O diretor de Inovação e Tecnologia da Informação da CNC, Maurício Ogawa, é o convidado do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-PE para o lançamento, nesta segunda-feira (20), da Rede de Inovação do Sistema Comércio em Pernambuco. A iniciativa integra um movimento nacional articulado pelo Senac, em parceria com a CNC.


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Ventiur Smart Capital. – Divulgação

Aceleradora no NE

A Ventiur Smart Capital — uma das principais aceleradoras de startups e plataformas de inovação do Brasil — foi selecionada pelo Sebrae AL como a gestora responsável por um programa de dez anos focado em investir em startups da região para receberem investimento anjo. O programa tem R$12,5 milhões, dos quais R$5 milhões já foram aportados. A meta é impactar 700 startups dos estados de Alagoas, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Economia circular

Um levantamento foi conduzido pela Yattó, infraestrutura de economia circular para grandes empresas, que revelou que as embalagens plásticas flexíveis foram apontadas como rejeito em 66% das visitas realizadas nas organizações de reciclagem brasileiras, seguidas por bandejas de PET (49%) e isopor (41%). O mapeamento que cruzou a análise de campo e leitura de imagens por inteligência artificial em 42 organizações de cinco regiões do país.

Recicla pós-consumo

Desde outubro de 2025, o Decreto Federal nº 12.688 obriga fabricantes e importadores de embalagens plásticas a incorporar conteúdo reciclado pós-consumo, 22% a partir de 2026, chegando a 40% em 2040 — e determina a priorização de organizações de catadores nas operações de triagem. Mas a Abrelpe estima que o Brasil recicla entre 4,5% e 8,7% dos resíduos sólidos que produz e perde R$ 14 bilhões por ano por não reaproveitar materiais recicláveis.


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Prefeitura de Camaragibe instalada no segundo piso do Camará Shopping – Divulgação

Prefeitura no Camará

A Prefeitura de Camaragibe iniciou, nesta segunda-feira (13), o atendimento em sua nova sede administrativa, instalada no segundo piso do Camará Shopping. O espaço passou a reunir 14 secretarias municipais, além dos gabinetes do prefeito e da vice-prefeita, ampliando a oferta de serviços públicos em um único local.

Para o superintendente do Camará Shopping, José Carlos Poroca, a iniciativa fortalece o papel do empreendimento na cidade. O atendimento ao público acontece das 8h às 19h, sem intervalo, enquanto o expediente interno da Prefeitura é realizado das 8h às 14h.

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