Tarifaço dos EUA pode reduzir em 60% as exportações de Pernambuco, alerta Fiepe

Tarifaço dos EUA pode reduzir em 60% as exportações de Pernambuco, alerta Fiepe

Em 2024, as exportações pernambucanas para os EUA totalizaram US$ 205 milhões, com destaque para produtos agropecuários e industriais. O Vale do São Francisco representa 37% das exportações brasileiras – Divulgação

Informações do JC

A indústria de Pernambuco enfrentará um cenário ainda mais crítico com a imposição de novas barreiras comerciais pelos Estados Unidos, como anunciado pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta quinta-feira (16/7), o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Bruno Veloso, revelou que o impacto estimado é de uma queda de 60% nas exportações pernambucanas destinadas ao mercado americano.

Bruno Veloso destacou que o prejuízo financeiro para o Estado é expressivo, considerando que, de um total de U$ 130 milhões em exportações, aproximadamente 60% serão diretamente impactados pelas novas taxas. Ao contrário de outras regiões focadas em commodities e agronegócio, Pernambuco possui uma base industrial robusta que sofre de forma diferenciada com o tarifaço.

O presidente da Fiepe alertou que essa mudança atinge a lucratividade dos produtores locais, que já haviam enfrentado pressões no ano passado para reduzir margens de lucro a fim de manter a competitividade dos produtos para o consumidor final nos EUA.

Apesar da exclusão de quase 2.500 produtos, a lista de itens atingidos abrange itens vitais da economia pernambucana, como açúcar, uva fresca, inhame, peixes e sucos, além de quase toda a produção da região do São Francisco, com exceção da manga, único produto que permaneceu isento.

“A manutenção dessas taxas inviabiliza comercialmente alguns produtos ou reduz drasticamente a margem de lucro tanto do exportador quanto do agente americano. O setor sucroalcooleiro, pilar econômico de Pernambuco e do Nordeste, é um dos mais preocupados, especialmente diante da nova lista encabeçada pelo etanol e das restrições às cotas de exportação para os EUA”.

Fiepe alertou que essa mudança atinge a lucratividade dos produtores locais, que já haviam enfrentado pressões no ano passado para reduzir margens de lucro a fim de manter a competitividade dos produtos para o consumidor final nos EUA – FIEPE / reprodução

Diante da inércia do governo federal, que Veloso descreveu como estando “quase de braços cruzados”, a Fiepe tem buscado atuar de forma independente em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A defesa comercial está sendo realizada diretamente na justiça americana, apresentando dados técnicos para contestar a aplicação da Seção 301, que fundamenta as sanções.

Para o setor privado, a falta de uma ponte diplomática eficaz tem deixado as indústrias locais em uma posição de vulnerabilidade sem precedentes frente às decisões unilaterais de Washington. “Infelizmente, a discussão tem ocorrido excessivamente no âmbito político, deixando para as empresas e trabalhadores a conta de uma relação diplomática desgastada e marcada pela ausência de diálogo entre os dois países”, avaliou ao ser questionado sobre o tema.

O QUE MOTIVOU A DECISÃO DO TARIFAÇO AMERICANO

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Apesar da exclusão de quase 2.500 produtos, a lista de itens atingidos abrange itens vitais da economia pernambucana, como açúcar, uva fresca, inhame, peixes e sucos, além de quase toda a produção da região do São Francisco, com exceção da manga, único produto que permaneceu isento – DIVULGAÇÃO

A decisão do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) de aplicar tarifas — que tendem a ser fixadas em 25% — baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio americana, um mecanismo que permite retaliações a países cujas políticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA.

O governo americano acusa o Brasil de adotar práticas ilegais, citando especificamente o sistema de pagamentos eletrônicos Pix, políticas de comércio digital, proteção de propriedade intelectual e o acesso ao mercado de etanol. Além disso, os EUA se queixam de benefícios concedidos pelo Brasil a parceiros como Índia e México, sem que as mesmas condições fossem estendidas aos produtos americanos.

Embora o Ministério da Fazenda avalie o impacto macroeconômico nacional como reduzido, prevendo que o redirecionamento de vendas compense as perdas, a realidade setorial em Pernambuco é muito mais preocupante. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os EUA já haviam recuado 13%, resultando em um déficit comercial de US$ 1,522 bilhão.

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