O Brasil praticamente dobrou a importação de automóveis da China no primeiro semestre deste ano. Foram 140,8 mil emplacamentos — contra 71 mil no mesmo período de 2025 — de veículos vindos do país asiático, segundo levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
As vendas de montadoras chinesas que fabricam no Brasil, como GWM e BYD, dispararam na mesma proporção.

As marcas chinesas conquistam mais brasileiros principalmente com carros eletrificados a preços competitivos e a promessa de economia no combustível. As montadoras tradicionais decidiram reagir e estão provocando um efeito dominó nos preços de automóveis novos e usados no país, abrindo uma oportunidade para os consumidores em um setor em alta nos últimos anos.
Para competir com os chineses, fabricantes nacionais e concessionárias ampliaram descontos neste mês e passaram a oferecer bônus generosos na troca de usados por modelos zero-quilômetro, forçando movimento similar nas lojas de seminovos, como são chamados os carros com até três anos de uso e baixa quilometragem.
Com os preços dos novos se aproximando de suas tabelas, as revendedoras começaram a perder clientes e encher pátios e também aderiram à temporada de descontos. Em lojas percorridas pelo GLOBO no Rio, há muitos modelos, principalmente os SUVs, à venda abaixo da Tabela Fipe, que aponta o valor médio de mercado dos usados.
A Toyota, por exemplo, oferece bônus de até R$ 40 mil na troca de um usado por alguns de seus carros zero. No caso do Yaris Cross XR, um modelo novo cujo preço caiu de R$ 149.990 para R$ 139.900 neste mês, esse bônus é de R$ 10 mil. Na prática, quem tem um carro avaliado em R$ 20 mil, por exemplo, pode ter R$ 30 mil de crédito na compra do novo, que sai por R$ 109.900.



