Raquel Lyra abre campanha à reeleição e diz que “cobraram de mim como nunca cobraram a um homem governador”

Raquel Lyra abre campanha à reeleição e diz que “cobraram de mim como nunca cobraram a um homem governador”


Clique aqui e escute a matéria

A governadora Raquel Lyra (PSD) deu o pontapé inicial à campanha pela reeleição neste domingo (2), durante a convenção do Partido Social Democrático, realizada no Parador, no Bairro do Recife.

A condição de primeira mulher eleita governadora de Pernambuco foi um dos principais eixos do discurso da chefe do Executivo estadual, ao lado da defesa da continuidade da gestão iniciada em 2023. Raquel afirmou ter enfrentado cobranças mais duras por ser mulher, disse que adversários tentaram impedir seu mandato e apresentou a eleição deste ano como uma escolha entre manter o atual projeto administrativo ou “olhar para trás”.

Antes da convenção, a governadora deixou o Palácio do Campo das Princesas ao lado da vice-governadora Priscila Krause (PSD) e seguiu a pé até o Parador. O percurso passou pela Ponte Buarque de Macedo, Avenida Rio Branco, Marco Zero e pelos armazéns da Avenida Alfredo Lisboa. No trajeto, encontrou os candidatos ao Senado da chapa majoritária, Túlio Gadêlha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP), e caminhou ao lado de apoiadores e militantes até o local do evento.

Em um discurso de cerca de uma hora, a governadora defendeu o legado dos três anos e meio de governo, exaltou resultados nas áreas de segurança pública, infraestrutura e programas sociais, agradeceu a parceria institucional com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez críticas indiretas ao principal adversário na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), sem citá-lo nominalmente na maior parte da fala.

Ao lembrar o início da gestão, Raquel voltou a afirmar que recebeu um Estado em dificuldades financeiras e disse que optou por enfrentar problemas estruturais em vez de buscar soluções imediatas.

“Vocês elegeram uma governadora para fazer mudança. E fazer mudança não é algo que se faz da noite para o dia, não é algo que se faz com propaganda na televisão, muito menos com discurso bonito. Nós escolhemos os caminhos difíceis. O caminho da transformação nunca é o caminho do atalho”, disse.

“Cobraram de mim como nunca cobraram a um homem governador”, enfatizou.

O momento de maior peso político do discurso ocorreu quando Raquel associou as críticas recebidas ao fato de ser a primeira mulher eleita para governar Pernambuco. A governadora afirmou acreditar que enfrentou um tratamento diferente por ocupar um espaço historicamente masculino e transformou esse argumento em uma das marcas da abertura da campanha.

“Inventaram todas as formas, cobraram de mim como nunca cobraram a um homem governador de Pernambuco. Tenho certeza que, se fosse um homem em vez de mim, as cobranças, os discursos e as atitudes seriam mais brandas”, criticou.

Na sequência, ela afirmou que tentaram impedir seu governo e que tentaram “ganhar no tapetão”.

“Tentaram segurar o nosso mandato de todo que é jeito. Quiseram me tirar daqui, ganhar no tapetão. Quiseram impedir uma mulher de terminar o seu governo”, afirmou.

Ao desenvolver essa narrativa, Raquel associou sua trajetória à de mulheres que marcaram a história de Pernambuco, como Brites de Albuquerque e as heroínas de Tejucupapo.

Em um dos momentos de maior emoção do discurso, a governadora embargou a voz ao homenagear a mãe, Mércia Lyra, a quem atribuiu a coragem para enfrentar os desafios da vida pública, e também Maria Hermínia, a quem Raquel tratava como “segunda mãe” e que faleceu neste ano.

“Mãe, eu tô aqui porque você me permitiu estar, porque Maria me permitiu estar, que Deus esteja e ela cuidando da gente lá em cima”, disse, emocionada.

Em seguida, também emocionada, lembrou o marido, Fernando Lucena, que faleceu no dia do primeiro turno das eleições de 2022.

“Eu tô aqui com Fernando, que há quatro anos estava de mãos dadas comigo e hoje abençoa a mim e aos meninos lá de cima”, afirmou.

Na sequência, Raquel passou a citar histórias de mulheres beneficiadas por programas do governo, como Alexandra, atendida pelo Mães de Pernambuco, e Brenna, aprovada em concurso da segurança pública. Ao relacionar essas trajetórias à própria história, afirmou que pretende abrir caminho para que outras mulheres ocupem espaços de protagonismo.

“Quando uma mulher se ergue, ela ergue muitas outras mulheres junto”, destacou.

Confira abaixo como foi a convenção do PSD:

Raquel diz que eleição será escolha por continuidade ou “voltar ao passado”

Embora tenha evitado mencionar João Campos diretamente, Raquel construiu o discurso em torno de um contraste entre sua administração e o grupo político que governou Pernambuco antes de sua eleição. Ao longo da fala, repetiu que a disputa será decidida entre a continuidade das mudanças iniciadas em seu governo e um retorno ao modelo anterior.

“Começa uma caminhada em que Pernambuco se encontra com o seu futuro. Com uma decisão se continua andando para frente ou se olha para trás”, declarou.

Na avaliação da governadora, a campanha não deve ser conduzida por um “projeto de poder”, mas pela defesa das ações realizadas ao longo do mandato.

“Não é por um projeto pessoal de poder, mas por um projeto que enxerga o seu povo.”

Em outro momento, afirmou que Pernambuco “não é lugar para laboratório” e disse que caberá ao eleitor decidir se “o que a gente está fazendo nesses últimos três anos e meio merece e vale a pena continuar ou se vai experimentar um novo caminho”.

Já na reta final do discurso, Raquel convocou apoiadores para a campanha e pediu que respondessem às críticas da oposição com a divulgação das ações do governo. Em seguida, afirmou que pretende enfrentar ataques políticos destacando as realizações da gestão.

A governadora também afirmou que existe um “gabinete de ódio montado” e convocou aliados a rebaterem “mentiras e inverdades” durante a campanha.

“Cada eleitor de Pernambuco, a partir do dia de hoje, virou militante”, enfatizou.

“Para cada mentira vai um gesto de amor. Para cada fake news, uma obra entregue. Eu quero comparar propaganda na televisão com obra no chão”, complementou.

Defesa da gestão e parceria com Lula

A defesa da gestão foi apresentada como o principal ativo eleitoral da campanha. Raquel voltou a afirmar que reorganizou as contas públicas do Estado e elencou resultados na segurança pública, geração de empregos, programas sociais, infraestrutura, habitação e educação para justificar o pedido de um novo mandato.

A governadora também fez questão de destacar a relação institucional construída com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de integrar um partido que nacionalmente não compõe a base do governo federal.

“Disseram que a gente não conseguiria o apoio do Governo Federal. Deram com os burros n’água também. Estamos fazendo muita parceria”, afirmou.

Ao agradecer nominalmente Lula e ministros como Rui Costa, Renan Filho, André de Paula e Jader Filho, a governadora reforçou a parceria institucional entre os governos federal e estadual e afirmou que a cooperação permitiu destravar obras e investimentos em Pernambuco.

O discurso foi reforçado por aliados que participaram da convenção. Candidato ao Senado pela chapa governista, Túlio Gadêlha afirmou que pretende “construir as pontes com o presidente Lula para trazer desenvolvimento para Pernambuco” e pediu que apoiadores manifestassem apoio ao petista. Já o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula (PSD), classificou como um dos principais legados da gestão a relação institucional entre os governos estadual e federal.

“Raquel é governadora de todos os pernambucanos. Ela não é governadora da esquerda ou da direita”, disse André de Paula.

Chapa oficializada

A convenção homologou a candidatura de Raquel Lyra à reeleição, tendo a vice-governadora Priscila Krause (PSD) novamente como candidata a vice.

Também foram oficializadas as candidaturas de Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha ao Senado, encerrando meses de negociações entre os partidos da base governista sobre a composição da chapa majoritária.

Durante o discurso, Raquel agradeceu aos dois candidatos e fez um gesto ao presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho, que disputou internamente uma das vagas ao Senado e não participou do evento.

“Miguel, eu sei que você não conseguiu estar aqui hoje, mas você tem o meu respeito”, afirmou.

Link da fonte aqui!

Veja também: