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No meio do debate sobre o orçamento das Forças Armadas, reproduzido pelo colunista Romualdo de Souza, quando revelou que o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que, se os Estados Unidos decidirem invadir o Brasil, ele “abre o portão”. Porque o Brasil não tem equipamento para enfrentá-los e nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão. É preciso ir um pouco além.
A frase tem a marca do bom humor do ministro pernambucano, reconhecido articulador político, a quem o presidente Lula da Silva recorreu para pavimentar o caminho do seu terceiro governo no estamento militar; não deve ser interpretada no sentido literal. Até porque isso não está nos planos de Donald Trump.
Esquerda do OGU
Mas lida sobre o recado que José Múcio está dando à esquerda brasileira que, por anos seguidos, pressiona pela redução do orçamento das nossas Forças Armadas, a partir do fato de que, pela sua história, o Brasil talvez nem precisasse de ter uma defesa melhor equipada, já que não tem nenhum cenário de conflito militar.
Essa visão é a que prevalece na hora da definição do Orçamento Geral da União. O mesmo OGU que é vítima de um ataque do Legislativo que confiscou do Executivo mais de R$ 120 bilhões pagos nos últimos quatro anos; este ano deve confiscar mais R$ 40 bilhões e se prepara para repetir o valor em 2027, sem que se tenha efetivamente uma avaliação do que ficou de positivo de tamanho volume de recursos pulverizados em milhares de municípios.
Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, reclama da falta de recursos para compor o orçamento das Forças Armadas – Ascom/Defesa
Emendas e desvios
Calma. Não se diz aqui que todo o orçamento das emendas deve ser deslocado para as Forças Armadas. Mas se parte dele fosse destinada a investimentos na tropa, certamente teria sido mais bem aplicada e não correria o risco dos desvios das emendas PIX que a Polícia Federal investiga.
Entretanto, o recado do ministro José Múcio é explícito: precisamos revisitar essa conta e ter a coragem de definir novos valores de acordo com a nova realidade global onde o Brasil está inserido regionalmente. Até porque temos uma indústria bélica exportadora, uma capacidade de produção naval instalada e uma indústria aérea que nos permite exportar aviões de transporte como o KC-390 da Embraer.
Veículos blindados do exército brasileiro adquiridos pelo Foreign Military Sales – Divulgação
Mercado de ofertas
O Brasil não precisa abrir o portão, mas precisa abrir o cofre para aproveitar mais as ofertas que o Departamento de Estado americano oferece dentro do programa Foreign Military Sales, conhecido pela sigla FMS.
O último deles foi um pacote aprovado no final de junho passado permitiu a aquisição de 12 helicópteros UH-60M Black Hawk, num pacote estimado em até US$ 950 milhões (cerca de R$ 4,9 bilhões), e de 100 mísseis antiaéreos FIM-92K Stinger Block I, em pacote estimado em US$ 330 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão) estimados em US$ 1,28 bilhão (R$ 6,6 bilhões).
Parque bélico
O Foreign Military Sales vende armamento que os Estados Unidos descomissionam de seu parque bélico e o revende para nações parceiras a preços muito atrativos. Nos últimos anos já adquirimos mísseis antitanque FGM-148 Javelin, torpedos leves MK 54, modernização de blindados M113 e obuseiros M109.
Na verdade, o Brasil, mesmo com o estresse nas relações com o governo Trump, manteve os vínculos históricos com os Estados Unidos na área militar. Em maio de 2024, por exemplo, as Forças Armadas brasileiras pediram para adquirir, via FMS, mísseis, veículos blindados, aeronaves de transporte, componentes de suporte para caças F-5, sistemas navais, de comunicação, de guerra eletrônica e de inteligência.
Helicópteros UH-60M Black Hawk, adquiridos através do Foreign Military Sales. – Divulgação
Mais fornecedores
E, embora também compre de países da União Europeia, o Brasil já adquiriu veículos blindados, sistemas navais, aeronaves e subsistemas de defesa de países como França, Itália, Alemanha e Suécia (a exemplo dos caças Gripen, cuja tecnologia envolve cooperação sueca). E fez parcerias para aquisição de equipamento naval e de submarinos.
Porém, o Brasil também é exportador e nos últimos anos busca não se limitar a ser um fornecedor ocasional de emergência, tendo o objetivo de construir relações duradouras, com contratos de longo prazo e, sempre que possível, acordos que envolvam cooperação industrial e desenvolvimento tecnológico, especialmente com países da UE.
Mísseis antiaéreos FIM-92K Stinger Block I comprados dos EUA. – Scott Jenkins
País exportador
E em 2025, por exemplo, a indústria de defesa do Brasil bateu um recorde histórico ao atingir US$ 3,4 bilhões em autorizações para exportações de produtos, aeronaves, armamentos e serviços militares. E esse é um mercado de corrente de comércio dupla.
Mas não se pode deixar de ter presente também uma dimensão estratégica mais ampla em relação à nossa presença na América do Sul. E é aí que a fala do ministro José Múcio ganha sentido.
Defesa das fronteiras
O governo do Brasil precisa entender que, a partir de 2027, terá de direcionar recursos para programas de defesa em nossas fronteiras terrestres, especialmente na Amazônia, como concluir a instalação dos programas em desenvolvimento, que acabam sendo ferramentas de combate ao narcotráfico.
Portanto, não dá para achar que José Múcio tenha dito apenas mais uma das suas frases bem-humoradas. Talvez ele nunca tenha falado tão sério se olharmos o que quis dizer não aos Estados Unidos, mas aos nossos vizinhos. Especialmente os com quem temos fronteiras.
Sede do Grupo Raymundo da Fonte Pernambuco. – Divulgação
Legado sustentável aos 80 anos
O Grupo Raymundo da Fonte completa 80 anos consolidando sua agenda ESG com uma série de reconhecimentos institucionais. Entre os destaques está o primeiro lugar no Selo Verde Pernambuco, além de premiações nas áreas de inclusão, empregabilidade e responsabilidade social. As conquistas reforçam a estratégia da indústria pernambucana de aliar crescimento, desenvolvimento regional e sustentabilidade, fortalecendo a reputação de marcas como Brilux, Minhoto, Sonho, Even e Candura.
Santa Maria 70
O Colégio Santa Maria celebra, este mês, 70 anos com vários eventos que reunirão a comunidade pernambucana. Dentre eles, Missa de Ação de Graças no dia 10, na sua unidade em Boa Viagem. No dia 11, recebeu voto de aplauso na Câmara Municipal do Recife e a concessão de título de cidadão pernambucano ao empresário Chaim Zaer, presidente do grupo SEB, que preside à instituição.
Fundado pela educadora Maria das Dores Muniz de Melo, o Santa Maria iniciou sua história em uma pequena unidade instalada na Rua dos Navegantes, em Boa Viagem e, ao longo de sete décadas, já formou mais de 20 mil estudantes.
Bernardo Carvalho
O executivo financeiro Bernardo Pereira de Carvalho era gestor do setor de M&A (fusão e aquisição) do BTG Pactual na sede da instituição e é o novo diretor regional para o Nordeste — da Bahia ao Rio Grande do Norte — do banco comercial, com escritório em Recife. Bernardo é filho do empresário do setor da construção civil Roberto Carvalho e neto da escritora e filóloga Nely Carvalho.
Tinta salvadora
Um grupo de estudantes do Rio Grande do Norte desenvolveu uma “tinta” capaz de reduzir a mortalidade de aves em parques eólicos que passou a ser usada pelas geradoras de energia. O produto reflete uma cor que permite às aves visualizarem torres eólicas e desviarem o percurso.
O projeto foi uma parceria entre a equipe de robótica SESI Bat Tech – formada por alunos da SESI Escola de São Gonçalo do Amarante – e o Global Wind Energy Council (GWEC), a principal associação comercial internacional que representa todo o setor de energia eólica mundial.
Dicas RioMar
Com a proximidade do Dia dos Pais, o RioMar Recife promove uma live com Simon Carrazzone, empresário e especialista em moda masculina, nesta terça-feira (04/08), às 19h, no perfil do shopping com dicas de presentes para acertar em cheio na data especial.
Silos no Brasil continuam com deficiência em relação à nossa safra de grãos – Divulgação
Abastecimento
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima um novo recorde na safra de grãos no Brasil, chegando a 360,1 milhões de toneladas. Mas embora o país avance em produtividade e consolide safras recordes, ainda enfrenta perdas significativas e déficit de capacidade estática.
O armazenamento de grãos permanece como um dos principais gargalos estruturais do agronegócio brasileiro. A Conab também revela que a capacidade estática no país é de apenas 228 mil toneladas. O déficit histórico de armazenagem no Brasil é não temos boas tecnologias de monitoramento avançado nos silos.
Trino na Multimodal
O Grupo Trino participa da feira Multimodal Nordeste 2026, um dos maiores eventos do setor logístico em toda a América Latina, que se encerra hoje (6) no Recife Expo Center. A companhia reúne 1,7 mil colaboradores e possui filiais em Pernambuco, Minas Gerais, Bahia e Paraíba. A empresa está presente em São Paulo, Goiás, Ceará, Alagoas e Rio Grande do Norte.
Gestão em pauta
A empresária e mentora pernambucana Aline Portela participa, nesta quinta-feira (6), da Conta Azul CON 2026, em São Paulo, considerado o maior evento de contabilidade e tecnologia da América Latina. O encontro reúne os principais especialistas e lideranças empresariais do Brasil para debater inovação, gestão e negócios.



