Lula promete melhoria da eficiência e da qualidade do gasto público, mas não abre mão do crescimento com investimento

Lula promete melhoria da eficiência e da qualidade do gasto público, mas não abre mão do crescimento com investimento

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Ficou pronto o plano de governo, que embasará a quarta campanha do presidente Lula nas próximas eleições. Plano de governo é aquele documento que um grupo de amigos escreve para um candidato na esperança de que ele execute alguma coisa e eles possam dizer aos correligionários que o eleito seguiu suas diretrizes.

O documento protocolado no TSE chama a atenção para a defesa da soberania, em resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que virou um achado para Lula. Aliás, a palavra soberania está 31 vezes no texto.

Cavalo de pau

Mas observando-se a parte em que o presidente fala de economia, o que está escrito não anima muito que deseja um “cavalo de pau” em 2027 para dar um ajuste ao menos para começar o governo. “Cavalo de pau” foi a expressão usada por José Dirceu para junto com Antonio Palocci dar um travada nas despesas nos primeiros 180 do primeiro governo Lula mesmo tendo recebido as contas em ordem de Fernando Henrique Cardoso.

No texto já depositado está dito que depois de recuperar o crescimento econômico, reduzir desigualdades, ampliar a sustentabilidade ambiental, recompor o protagonismo internacional e enfrentar a distorção na elaboração e gestão do orçamento federal – o atual sistema de emendas parlamentares. No orçamento de 2026, as emendas somaram R$50 bilhões, consumindo aproximadamente um quinto dos recursos discricionários do Poder Executivo.



Lula no lançamento do Move Brasil Motos. – Ricardo Stucker

Texto agradável

Lula sabe que não vai ser simples, até porque para fazer isso precisará de uma enorme articulação dentro do Congresso. Mas e daí. Papel aguenta tudo e, para o presidente, a taxa de juros é hoje o que a inflação foi no passado no Brasil: promove concentração de renda e desorganiza a nossa economia.

O diagnóstico é correto. O problema está na receita prescrita. Elevar a taxa de investimento da economia, ampliar os investimentos em infraestrutura logística, para dar mais competitividade à produção nacional e criar as condições para uma redução sustentada das taxas de juros, com inflação controlada e assegurando uma política fiscal responsável.

Arcabouço fiscal

O presidente promete manter o novo arcabouço fiscal, que, segundo ele, controlou o crescimento das despesas sem prejudicar as políticas sociais e permitiu uma redução significativa do déficit primário. Ele até diz que seguirá monitorando a evolução do endividamento das famílias e das empresas, mas nenhuma palavra sobre nossa dívida pública. E prevê que o resultado fiscal (positivo) virá, como fizemos até aqui, da retomada do crescimento econômico, do controle do aumento do gasto primário.


Ricardo Stuckert/PR

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – Ricardo Stuckert/PR

É aí que o bicho pega. Lula acredita que a inflação sob controle de forma duradoura e sustentável segura a barra. É que, ao fortalecer a neoindustrialização, repensando o papel da indústria no Brasil, o aumento da capacidade inovativa e da produtividade industrial será fundamental para reduzir pressões inflacionárias e melhorar a inserção externa do Brasil por meio da diversificação de mercados.

Sem gastar melhor

Tudo isso é verdade, mas não há no texto nada consistente sobre gastar melhor. Aliás, a palavra gastos está no texto em apenas três oportunidades. A primeira quando fala da necessidade de recomposição de gastos sociais. No acompanhamento relacionado a cada uma das agendas transversais do PPA 2024-2027 e na busca de mecanismos de controle de gastos excessivos em apostas on-line, as bets.

Há informações de que o presidente orientou para que no texto fossem evitados temas mais polêmicos, como prometer “tarifa zero” no transporte público e reversão de privatizações, especialmente as da Petrobras, e voltar ao tema do controle de capitais. O máximo permitido foi lembrar a tributação da renda dos super ricos como a tributação de offshores e fundos exclusivos.

Ajustar as contas

Naturalmente, a partir desta semana, os analistas vão cobrar temas que reforcem a ideia de que, exatamente porque a inflação está baixa, é um bom momento para o governo ajustar suas contas.

Ou ao menos sinalizar que se preocupa com isso. Mas o governo não vai entrar nessa linha.
Aliás, o ministro da Fazenda Dario Durigan afirma que desde 2024, o resultado do governo não é responsável pelo aumento do endividamento público, e sim a taxa de juros. Para o ministro, o desafio está na gestão da dívida, devido aos juros para remunerar os investidores, uma vez que o orçamento está contido.

Endereçar a questão

O ministro vem repetindo o que disse no Passando a Limpo da Rádio Jornal no dia 27 de julho, quando reconheceu o desafio para o governo endereçar a questão dos juros para diminuir o endividamento. Embora ponderando que do ponto de vista do governo, a variável que está no nosso controle é em grande medida a política fiscal, por isso que é importante melhorar a política fiscal.

O problema é que nem ele nem o texto do programa de governo de Lula falam em como diminuir juros com esforço fiscal. Além disso, quando questionado sobre como o comportamento das contas públicas impacta os juros, ele insiste em dizer que esse não é o único aspecto em que a elevação recente da Selic “não esteve necessariamente vinculada ao fiscal”.

Culpa dos juros

É como se o BC em janeiro de 2025 tivesse subido a taxa de juros olhando apenas a taxa de inflação sem considerar os gastos públicos. E se em junho do mesmo ano chegasse a 15% levando apenas esse componente em consideração que naquela semana estava em queda há quatro semanas. Mas esse é o papel do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Ao menos até o final das eleições.


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Guido Mantega virou assessor de Daniel Vorcaro. – DIVULGAÇÃO

Mantega e Vorcaro

No final de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desistiu de emplacar o seu ex-ministro Guido Mantega na presidência da Vale do Rio Doce. Mas o ex-ministro não ficou ao relento. No dia 30 de abril, ele constituiu a Polaris Consultoria Ltda., que logo encontrou um cliente importante: o Banco Máster de Daniel Vorcaro.

No dia 4 de dezembro de 2026, o presidente Lula recebeu o banqueiro ao lado do consultor do Master, Guido Mantega, para uma reunião na qual compareceram o presidente do BC, Gabriel Galipolo, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. No ano de 2024 a Polaris Consultoria Ltda. Recebeu R$ 14 milhões do banco Master.


Ricardo Stucker

Lula no lançamento do Desenrola 2.0. – Ricardo Stucker

Desenrola Flopou

O Índice de Desconforto de Crédito (IDC), desenvolvido pela FGV, mostra que o Novo Desenrola ainda não produziu uma redução relevante no desconforto de crédito das famílias brasileiras. Atualizado com os dados de maio de 2026, o indicador registrou 0,981, uma pequena queda em relação aos 0,990 observados em abril, permanecendo muito próximo do pior nível da série histórica, iniciada em 2014.

Os resultados mostram que o comprometimento de renda das famílias atingiu 28,5%, o maior valor da série histórica. O IDC é construído a partir de três dimensões do mercado de crédito — comprometimento de renda, inadimplência e qualidade do crédito — e mede a posição relativa do desconforto de crédito ao longo da série histórica.

Maior Juro real

O Banco Central reduziu a Selic para 14% ao ano, mas o Brasil continua com o maior juro real do mundo. Segundo levantamento da plataforma de análise econômica MoneYou, a taxa brasileira está em 9,30% ao ano, diante de 9,09% da Rússia.
O ranking considera o chamado juro real calculado a partir das expectativas para os 12 meses seguintes. A conta relaciona os juros negociados no mercado para esse período com a inflação projetada, estimada em 4,12%; por isso, o resultado de 9,30% não vem de uma simples subtração entre a Selic de 14% e a inflação atual.


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Shopee – DIVULGAÇÃO

Farmácia Shopee

O setor farmacêutico acionou a Anvisa sobre medicamentos vendidos pela Farmácia Shopee. A queixa é da Abafarma, ABCFarma, Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan) e da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar) que contestam a nova legislação quanto à possibilidade de farmácias comercializarem medicamentos por meio da Shopee.

A legislação estabelece condições para a atuação de plataformas digitais, mas também determina o cumprimento integral da regulamentação sanitária. As entidades reconhecem que o próprio texto legal condiciona essa possibilidade ao cumprimento integral da regulamentação sanitária aplicável. As associações querem saber se a Shopee se estruturou para isso

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