Brasil, uma nação plural

Brasil, uma nação plural


Entre a diversidade que pode unir e a desigualdade que separa, os brasileiros celebram a identidade reconhecida do Oiapoque ao Chuí

Por

JC


Publicado em 07/09/2026 às 0:00

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A cada 7 de Setembro, há que se distinguir a data histórica da Independência do sentimento de patriotismo vinculado, que não se restringe ao que se conta ter acontecido às margens do rio Ipiranga. A data que virou feriado nacional foi forjada numa declaração conveniente para a manutenção do poder, pouco mais de dois séculos atrás. A identidade patriota, por outro lado, vem de formação que se enraíza antes do cenográfico grito do príncipe regente, e se prolonga depois, até os nossos dias, em processo de construção que se traduz na diversidade de cores, sotaques e origens. Uma diversidade que não desagrega, pelo contrário, serve como catalisadora do reconhecimento da nação, no múltiplo reflexo do gigantesco espelho de um país continental.
Mas essa identidade também se mostra, por outro lado, na profunda desigualdade que separa, na prática, a população brasileira. A minoria se nutre do privilégio de oportunidades abertas, direitos garantidos e uma vida de escolhas no horizonte graças ao atendimento de condições básicas desde o berço. E a maioria percorre os dias como quem se esgota numa corrida de fundo, sem chance para descansar, atrás de oportunidades, direitos e horizontes que não são dados, mas podem ser conquistados, com apoio e sorte no trajeto.
Ao equilíbrio na formação nacional, postulado por Gilberto Freyre em defesa da mestiçagem, atrela-se a permanência de um muro econômico e social, cuja abstração se concretiza, por exemplo, nas cidades onde o território ocupado mostra distinções claras de infraestrutura e qualidade de vida. Neste sentido, o Recife é uma vitrine da ambiguidade verde-amarela, com a badalada riqueza cultural desafiada pela realidade nas palafitas, nos morros e nos semáforos. As desigualdades confrontam a diversidade no Brasil, faz muito tempo. E a nossa identidade, por mais admirada que seja por olhares de fora, não demonstra força para quebrar o muro invisível da exclusão e da segregação.
A poucas semanas de uma disputa eleitoral polarizada, mais uma vez em corda esticada por crise institucional – e agora com a contribuição de um Judiciário minado pela desconfiança dos cidadãos ao Supremo Tribunal Federal – a data comemorativa da Independência e da brasilidade precisa recordar o pluralismo que nos compõe. Do Oiapoque ao Chuí, do litoral à floresta amazônica, da Serra da Saudade, em Minas Gerais, com menos de 1 mil habitantes, à cidade de São Paulo, com quase 12 milhões, o Brasil é único por ser tão plural.
A nação que gosta de festa é a mesma que vai às ruas em manifestação de reclamos e direitos. Essa é a compreensão que se espera dos representantes do povo, em nome do qual solicitam o exercício do poder por mandatos com prazo determinado. A exaltação da pátria não deve ser confundida com qualquer conteúdo de campanha eleitoral, nem diminuída em função da desigualdade transmitida há gerações. A identidade coletiva se liga à empatia, à solidariedade e à sensibilidade, e não, á indiferença, ao ódio e à exclusão. Somos mais brasileiros quanto mais juntos pudermos ser.

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