Flávio Bolsonaro termina campanha entre peso de Minas e a força do reduto bolsonarista

Flávio Bolsonaro termina campanha entre peso de Minas e a força do reduto bolsonarista


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O encerramento da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) encontrou seu ápice político na zona oeste do Rio de Janeiro. A concentração na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, reuniu uma multidão com camisas da seleção brasileira, faixas contra o adversário Luiz Inácio Lula da Silva e bandeiras eleitorais, transformando-se na maior manifestação pública do candidato na capital fluminense durante a disputa.

Ao som de piseiros e funks de campanha emitidos por seis carros de som espalhados pela avenida Lúcio Costa, o cortejo percorreu cerca de 850 metros até a entrada do condomínio Vivendas da Barra.

No local, que serviu de residência ao ex-presidente Jair Bolsonaro e foi administrado por Carlos Bolsonaro antes de sua eleição ao Senado por Santa Catarina, o candidato foi recebido com o buzinaço de 12 carretas descarregadas e intenso comércio de artigos temáticos, incluindo bonecos de Lula vestidos de presidiário.

Em cima do trio elétrico, trajando o abadá do “Bloco do 22” ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro, da mãe, Rogéria, da coordenadora de campanha Daniella Marques, e de aliados como o governador eleito fluminense Douglas Ruas (PL), o líder do PL na Câmara Sóstenes Cavalcante, Deltan Dallagnol (Novo) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), Flávio fez um discurso sucinto.

Afirmou que a mobilização fez história, declarou acreditar que o país teria um novo presidente no dia seguinte e encerrou sua manifestação conduzindo uma oração coletiva do Pai-Nosso com os apoiadores.

A escolha do condomínio para o encerramento teve forte carga simbólica pessoal e partidária, sendo classificada formalmente pela campanha como o desfecho de uma “jornada histórica”. De acordo com comunicado distribuído pelo comitê do candidato, a empreitada eleitoral teve como marco inicial uma carta redigida em dezembro de 2025 por Jair Bolsonaro a Flávio, seu primogênito, transferindo a ele a liderança política para a corrida ao Palácio do Planalto.

Belo Horizonte

Antes de desembarcar no Rio de Janeiro, o presidenciável cumpriu agenda matinal em Minas Gerais, considerado um dos estados decisivos para o desfecho eleitoral. Em Belo Horizonte, Flávio participou de uma motociata que se deslocou da Praça do Papa até a Praça da Liberdade, na região Centro-Sul da capital mineira.

O ato contou com a presença de governadores e lideranças expressivas do campo conservador, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o governador eleito mineiro Cleitinho (Republicanos), o ex-governador Romeu Zema (Novo) e os deputados federais Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato (PL-SP) e Domingos Sávio (PL-MG).

Durante a passagem, Flávio não discursou aos manifestantes e não concedeu entrevistas, mas gravou um vídeo com Tarcísio e Cleitinho destacando a tese política de que “quem ganha em Minas e São Paulo ganha o Brasil”. Na praça, coube a Nikolas Ferreira conduzir uma breve fala aos manifestantes, puxar uma prece e chutar um boneco com a imagem de Lula.

Rio de Janeiro

A mobilização no Rio de Janeiro coroou uma trajetória de eventos realizados em diferentes regiões do estado ao longo da corrida eleitoral, passando por redutos como Copacabana, Maracanãzinho, Campo Grande, Bangu, Baixada Fluminense e São Gonçalo.

O estado consolidou-se como principal fortaleza da candidatura: no primeiro turno, Flávio alcançou 53,01% dos votos válidos (4.966.844 votos) em solo fluminense, superando Lula, que registrou 39,41% (3.693.021 votos), em um cenário marcado por 23,32% de abstenção e desempenho mais favorável do postulante em regiões sob influência de grupos paramilitares.

O resultado estadual refletiu a força eleitoral do grupo político, que assegurou a vitória de Douglas Ruas ao governo e a eleição dos dois senadores, Carlos Portinho e Carlos Jordy, superando episódios de instabilidade prévia na política local — como a renúncia do ex-governador Cláudio Castro e ações policiais envolvendo pré-candidatos da base partidária. A rotina do candidato previa o voto na manhã seguinte no bairro de Vila Isabel, na zona norte carioca, antes de seguir para Brasília, onde acompanharia a apuração oficial dos votos.

Redes Sociais

O encerramento definitivo das atividades de campanha deu-se no ambiente digital por meio de uma transmissão ao vivo que ultrapassou a marca de 85 mil espectadores simultâneos. A transmissão reuniu cantores sertanejos que já haviam declarado apoio na propaganda de rádio e televisão, como Gusttavo Lima e Rodolffo, além de intervenções de Nikolas Ferreira, exaltado pelo presidenciável pelo papel de mobilização exercido na juventude.

Apoiado pela esposa e pela coordenadora de campanha, Flávio concluiu sua última manifestação antes das urnas reforçando as críticas à gestão federal e defendendo a renovação no comando do Executivo:

“Vocês puderam perceber ontem que o Brasil sabe o que fazer. O Brasil cansou do atual presidente da República. O presidente da República está cansado e talvez pudesse ter resolvido os problemas lá de trás. Ele hoje não tem mais condições de resolver os problemas atuais. Os problemas atuais exigem novas pessoas, novos pensamentos, ideias e formas de tratar os problemas”.

A exemplo do que havia sugerido no debate televisivo anterior e executado nos palanques de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro, a transmissão foi selada com a reza do Pai-Nosso, fechando o ciclo de manifestações públicas da candidatura.

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