Dino determina investigação da PF sobre suspeita de interferência estrangeira nas eleições

Dino determina investigação da PF sobre suspeita de interferência estrangeira nas eleições


Ministro do STF cita possível financiamento externo à campanha de Flávio e pede apuração sobre troca de apoio por acesso a minerais críticos do Brasil

Por

JC


Publicado em 27/10/2026 às 12:48

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (27) a abertura de uma investigação da Polícia Federal (PF) para apurar suspeitas de interferência estrangeira nas eleições brasileiras de 2026. A decisão aponta indícios de possível uso intencional dos algoritmos de plataformas digitais para favorecer ou prejudicar candidaturas.

Na decisão, Dino cita notícias sobre possíveis aportes de recursos estrangeiros em benefício de uma campanha presidencial e menciona a Rockbridge Network, que teria participado de negociações para apoiar financeiramente a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).

O ministro também determinou a apuração de uma possível oferta de apoio político em troca de acesso à exploração de terras raras e outros minerais críticos brasileiros.

A investigação considera, ainda, um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que inclui a segurança do processo eleitoral entre os desafios prioritários do país e alerta para o risco de interferência externa.

Na decisão, Dino afirma que a atuação de agentes estrangeiros não pode comprometer a soberania nacional nem a liberdade de escolha dos eleitores brasileiros. A legislação eleitoral proíbe partidos e candidatos de receberem, direta ou indiretamente, recursos de origem estrangeira.

Suspeita de tratamento desigual nas redes

A decisão ocorre após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adotar medidas para apurar suspeitas de tratamento desigual entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro nas plataformas digitais.

Em 15 de outubro, o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, determinou que a Meta, responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, não interferisse na distribuição de conteúdo político-eleitoral de nenhum dos candidatos até o fim do segundo turno.

A medida foi motivada por alegações da campanha de Lula de que suas publicações estavam sofrendo redução de alcance e de que a ferramenta de inteligência artificial da empresa apresentava diferenças no tratamento de conteúdos relacionados aos dois candidatos.

A Meta negou favorecimento a qualquer candidatura e atribuiu os problemas relatados a incidentes técnicos. A empresa também reconheceu que uma falha em seus mecanismos de proteção permitiu que sua ferramenta de inteligência artificial gerasse materiais de campanha favoráveis a Flávio Bolsonaro.

Apuração sobre minerais críticos

Dino também determinou que sejam esclarecidas as circunstâncias de eventuais propostas de financiamento estrangeiro vinculadas à exploração de terras raras e minerais críticos brasileiros.

O ministro defendeu a identificação dos responsáveis pelas possíveis propostas, dos destinatários e das contrapartidas envolvidas. Na decisão, ressaltou que os recursos minerais pertencem à União e que sua exploração depende de autorização ou concessão conforme o interesse nacional.

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos utilizados na fabricação de produtos de alta tecnologia. O Brasil está entre os países com grandes reservas desses minerais, cuja demanda tem crescido com a expansão de tecnologias relacionadas à transição energética.

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