STJ nega último recurso da defesa do réu; júri popular deve ser marcado

STJ nega último recurso da defesa do réu; júri popular deve ser marcado


Corte Especial rejeitou embargos de declaração de recurso extraordinário dos advogados de Marcelo da Silva, acusado de matar Beatriz Mota em 2015

Por

Raphael Guerra


Publicado em 12/06/2026 às 10:52
| Atualizado em 12/06/2026 às 11:16

Clique aqui e escute a matéria

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) impôs mais um revés à defesa de Marcelo da Silva, réu pela morte da menina Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Por unanimidade, os ministros rejeitaram os embargos de declaração relacionados a um recurso extraordinário que buscava levar o caso para análise do Supremo Tribunal Federal (STF). 

A decisão foi publicada nesta sexta-feira (12) e encerra a tramitação dos recursos apresentados ao STJ. Com isso, o processo deverá retornar à Vara do Tribunal do Júri de Petrolina, responsável por marcar a data do júri popular de Marcelo da Silva.

Os recursos da defesa tinham o objetivo de anular a sentença de pronúncia do réu para impedir que ele seja levado a júri popular. Os advogados argumentam que decisões de instâncias inferiores – inclusive do STJ – não levaram em consideração supostas falhas no andamento das investigações e outras pontuações apresentadas em relação ao processo. 

Nas decisões, no entanto, os ministros do STJ não concordaram com a defesa. E reforçaram que os argumentos dos advogados não são suficientes para mudar decisões anteriores e impedem que o recurso extraordinário seja levado à Suprema Corte. 

Em fevereiro deste ano, em decisão monocrática, o vice-presidente do STJ, Luis Felipe Salomão, já havia rejeitado o pedido da defesa. O Ministério Público Federal (MPF) também apresentou parecer contrário.  

MORTE DE BEATRIZ COMPLETOU UMA DÉCADA

Beatriz foi assassinada a facadas durante uma festa de formatura no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em 10 de dezembro de 2015.

Segundo as investigações, Marcelo entrou na instituição de ensino e fez a abordagem violenta no momento em que a menina bebia água, fora da quadra onde ocorria a festa. Ele confessou ter levado Beatriz até uma sala desativada e praticando o crime. 

Os investigadores conseguiram chegar até o acusado em janeiro de 2022, após o cruzamento de DNA, a partir das amostras coletadas na faca usada para matar Beatriz.

Marcelo, que já estava preso por crimes sexuais, confessou à polícia que havia entrado no colégio para conseguir dinheiro e que a menina teria se assustado ao encontrá-lo. Ele disse que a esfaqueou para que parasse de gritar. A confissão foi gravada pela polícia em vídeo.

Ele virou réu por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante dissimulação, recurso que dificultou a defesa da vítima).

Já no interrogatório, na fase de audiência de instrução e julgamento do processo, Marcelo permaneceu em silêncio – por orientação da defesa, que insiste na tese de que ele não é culpado pelo crime.

Uma carta supostamente escrita pelo réu chegou a ser divulgada, na época, com os escritos: “Eu sou inocente, eu não matei a criança”.

Em dezembro de 2023, a juíza Elane Brandão Ribeiro, da Vara do Tribunal do Júri de Petrolina, decidiu levar o réu a júri popular.

A magistrada destacou que, entre as provas, foram identificadas “escoriações no corpo da ofendida [Beatriz], o que pode indicar que a conduta foi motivada pela recusa da vítima em anuir [consentir] com os interesses sexuais do acusado, conforme indicado na denúncia”.

Desde então, recursos são apresentados pela defesa para tentar impedir o julgamento. 

VÍDEO: RELEMBRE O CASO BEATRIZ

Link da fonte aqui!

Veja também: