Terminal temporário de Camaragibe enfrenta desordem e afasta passageiros do transporte público

Terminal temporário de Camaragibe enfrenta desordem e afasta passageiros do transporte público

Passageiros do TI Camaragibe em paradas alternativas, após interdição para realização de obra no terminal – Ciro Gomes

Informações do JC

A rotina de quem utiliza o Terminal Integrado de Camaragibe segue sendo um teste diário de paciência e resistência desde o início das obras de reforma estrutural do TI, há menos de um mês, e que deveriam ter sido executadas ainda para a Copa do Mundo de 2014.

A transferência das operações para pontos provisórios na área externa da unidade colocou os passageiros em um cenário de desordem, com a improvisação ditando o ritmo da operação e, consequentemente, dos deslocamentos da população da região.

Seguem sofrendo passageiros e operadores. A desordem que tem predominado principalmente nos embarques está afastando o passageiro do sistema, com uma queda de 6% na demanda já percebida pela MobiBrasil, principal empresa que opera na área.

Para piorar a situação e forçar o passageiro a procurar outras formas mais rápidas, mesmo que perigosas – como o Uber e 99 Moto -, a interdição coincidiu com a redução da operação do Metrô do Recife para troca de dormentes do Ramal Camaragibe da Linha Centro, ampliando o intervalo que já era de 20 minutos nos horários de pico para mais de 30 minutos. 

Sem sinalização adequada ou abrigo, pelo menos 50 mil usuários (número referente à demanda do TI Camaragibe) estão enfrentando o sol e a chuva em calçadas apertadas, evidenciando que o planejamento para mitigar os impactos da interdição foi insuficiente para garantir o mínimo de conforto no transporte público.

TI Camaragibe é interditado para obras de requalificação – Ciro Gomes

O sentimento de abandono é traduzido no desabafo indignado de quem depende do sistema. “Desorganizado, está demais. É um absurdo isso. Em vez de facilitar a vida do ser humano, só piora. E pelo que estamos vendo, será um ano nisso. Difícil, muito difícil e desestimulante”, afirma a diarista Maria José dos Santos, que todos os dias precisa sair de Camaragibe para Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.

O zelador Paulo Ricardo Silva, que também trabalha em Boa Viagem, apela para que as empresas e os gestores do sistema reforcem a frota nesse período porque quem precisa pegar o ônibus a partir do terminal provisório está sendo muito prejudicado. “Como os ônibus agora saem de São Lourenço da Mata, eles já chegam no terminal lotados. Fica impossível de entrar e viajar até o TI Joana Bezerra ou o Centro do Recife, por exemplo. Tem que reforçar a frota”, reclama.

CTM GARANTE QUE AJUSTES ESTÃO SENDO FEITOS PARA REDUZIR IMPACTOS

Paralização para obras causam transtornos entre os passageiros do TI Camaragibe – Ciro Gomes

O coordenador de operações do Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM), Mário Sérgio Cornélio, reconhece as dificuldades da operação improvisada e realizada, literalmente, no meio da rua – numa referência ao terminal improvisado. E com o agravante da redução operacional do metrô.

Mas, segundo o gestor, a mudança exigiu um ajuste complexo nas operações, incluindo a inversão de circulação e o aumento da frota para tentar absorver a migração de passageiros que antes utilizavam o metrô e agora dependem do ônibus. Mário Sérgio admite que a capacidade de injetar novos veículos é limitada e que a estocagem dos ônibus, antes feita dentro do TI, agora precisa ser realizada nas garagens da MobiBrasil, que fica mais distante e dificulta a mobilização imediata em casos de necessidade.

A reforma do TI Camaragibe vai custar R$ 29 milhões e deverá durar 12 meses, caso o cronograma inicial seja cumprido.

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