Minha Casa, Minha Vida e rodovias de concreto sustentam venda de cimento

Minha Casa, Minha Vida e rodovias de concreto sustentam venda de cimento


Outro indicador-chave de performance que sinalizou fôlego foi o volume de vendas por dia útil, que atingiu 254 mil toneladas no último mês de maio

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A indústria nacional de cimento registrou um desempenho de contrastes no mês de maio de 2026. De acordo com dados divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC), as vendas do insumo totalizaram 5,7 milhões de toneladas no mês, o que representa uma retração de 1,0% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Por outro lado, o balanço dos primeiros cinco meses do ano aponta para uma trajetória de resiliência, com o acumulado do setor apresentando expansão de 1,2% frente a 2025.

Outro indicador-chave de performance que sinalizou fôlego foi o volume de vendas por dia útil, que atingiu 254 mil toneladas em maio. O número representa uma alta de 4,4% em relação a abril e um avanço de 3,5% no confronto interanual. No recorte acumulado de janeiro a maio, esse indicador específico exibe uma elevação de 2,2%.

De acordo com a análise do setor, a sustentação da demanda por cimento tem sido garantida pela combinação de um mercado de trabalho aquecido e pelo dinamismo do mercado imobiliário, impulsionado de forma expressiva pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

No primeiro trimestre, as vendas imobiliárias subiram 4,1%, puxadas por um salto de 10% nas operações do MCMV, que passou a responder por quase metade dos lançamentos habitacionais do país. O ritmo deve ser mantido após um aporte de R$ 20 bilhões oriundos do Pré-sal, recurso que permitiu ao governo federal elevar a meta de contratações para 3 milhões de moradias até o final de 2026, além de ampliar o crédito para reformas. No âmbito da infraestrutura, a aceleração de projetos rodoviários em pavimento rígido e novas tecnologias para vias urbanas em concreto também têm se consolidado como vetores importantes de consumo.

Apesar dos pilares de sustentação doméstica, o ambiente macroeconômico inspira forte cautela e impõe pressões severas sobre a indústria. A combinação de expectativas crescentes para a inflação, incertezas externas e a volatilidade nos preços do petróleo — intensificada pelos conflitos no Oriente Médio — levou o mercado financeiro a revisar para cima a projeção da taxa Selic, estimando que os juros básicos encerrem o ano em 13,50%. Esse cenário de crédito restritivo reverbera diretamente no bolso dos consumidores e no comércio. No varejo, as vendas de materiais de construção recuaram 4,9% em abril, estranguladas pelo endividamento das famílias, que compromete quase metade da renda média e empurrou a inadimplência para o recorde histórico de 83,3 milhões de brasileiros. O fenômeno tem sido agravado pelo avanço do mercado de apostas on-line, que drenou R$ 143,8 bilhões do comércio varejista nos últimos dois anos.

O reflexo dessa conjuntura se distribui de forma desigual entre os índices de confiança. Enquanto a confiança da indústria voltou a crescer em maio devido à normalização de estoques pós-sustos logísticos globais, o otimismo na construção civil ficou estagnado, com o segmento de edificações penalizado pela falta de mão de obra e pela escalada dos custos operacionais. Adicionalmente, o setor acompanha com apreensão as diretrizes do Novo Desenrola, criticando o estímulo ao uso de recursos do FGTS para quitar dívidas gerais, o que representaria um desvio da finalidade original do fundo voltada ao financiamento habitacional.

O presidente do SNIC, Paulo Camillo Penna, destacou que o setor convive com um cenário de forças opostas. O executivo ponderou que, embora o mercado de trabalho estruturado e os programas habitacionais sejam pilares indispensáveis para os resultados atuais, as pressões inflacionárias, a perspectiva de juros elevados e a instabilidade geopolítica no Oriente Médio formam uma barreira complexa para o crescimento pleno. Penna acrescentou ainda que “a indústria monitora com rigor a tramitação do projeto que propõe o fim da jornada de trabalho na escala 6×1”, alertando que a eventual mudança na legislação trabalhista possui potencial para onerar significativamente os custos operacionais das fábricas.

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