Briga pelo Senado pode acabar entregando a vaga a Fernando Dueire

Briga pelo Senado pode acabar entregando a vaga a Fernando Dueire


Impasse entre Miguel Coelho e Eduardo da Fonte ameaça chegar à Justiça e cria um cenário em que o senador do PSD passa a ser a solução mais simples.

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A disputa entre Miguel Coelho (União Brasil) e Eduardo da Fonte (PP) pela vaga ao Senado na chapa de Raquel Lyra (PSD) entrou numa fase em que os dois correm o risco de perder.

O impasse deixou de ser apenas uma queda de braço entre lideranças da Federação União Progressista e passou a ameaçar o próprio espaço que ambos disputam. Bastidores ouvidos pela Cena Política revelam que interlocutores dos dois grupos já admitem recorrer à Justiça caso não haja uma solução política. Se isso acontecer, o calendário eleitoral pode produzir um desfecho inesperado.

O beneficiário não seria Miguel nem Eduardo. Seria Fernando Dueire (PSD), senador em exercício e filiado ao partido da governadora.

Judicialização

A Federação União Progressista chegou ao momento em que dispõe de pouco tempo para administrar um conflito complexo. As convenções partidárias se aproximam e a do PSD, legenda de Raquel Lyra, está marcada para o dia 2 de agosto. Até lá, União Brasil e Progressistas precisam apresentar uma solução que seja política e, sobretudo, definitiva.

A partir do momento em que a disputa migra para o Judiciário, o tempo deixa de obedecer ao ritmo da política. Recursos, liminares, contestações e novas decisões passam a disputar espaço com um calendário que continua correndo. Ainda que a Justiça venha a decidir rapidamente, a simples existência de um litígio prolonga a incerteza justamente no período em que uma campanha precisa organizar chapa, estratégia e agenda.

O impasse já começa a produzir outro efeito nos bastidores. Lideranças que sequer falavam em disputar o Senado passaram a ser procuradas ou a admitir conversas sobre uma eventual candidatura, caso a Federação não consiga resolver sua própria crise. O vazio político começa a atrair alternativas.

Dueire

Entre todos os nomes que podem surgir nesse cenário, um larga em vantagem sobre os demais. Fernando Dueire já ocupa uma cadeira no Senado, pertence ao PSD e não depende de qualquer negociação dentro da Federação União Progressista.

Sua eventual escolha deixaria de representar uma vitória pessoal para se transformar na solução mais simples disponível. Enquanto Miguel e Eduardo continuam disputando quem ficará com a vaga, Dueire já exerce o mandato e reúne exatamente a característica que passa a ganhar valor num ambiente de incerteza: elimina a necessidade de uma nova negociação.

A ironia política é evidente. Enquanto dois brigam pela cadeira, um terceiro continua sentado nela.

Sangue

Esse desfecho ainda produziria uma consequência política relevante para Raquel Lyra. A chapa majoritária poderia ser inteiramente formada por nomes do PSD. A governadora disputaria a reeleição ao lado da vice Priscila Krause, tendo Túlio Gadêlha e Fernando Dueire como candidatos ao Senado.

Naturalmente, adversários e aliados teriam argumentos para criticar uma composição exclusivamente partidária. Mas a governadora também teria uma resposta pronta.

Ela não controla a Federação União Progressista. Se União Brasil e Progressistas não conseguem decidir qual dos dois deve ocupar o espaço que lhes pertence, a decisão inevitavelmente retorna ao campo em que o PSD possui autonomia para agir.

Espaço

A disputa pela vaga ao Senado ainda pode terminar com Miguel Coelho ou Eduardo da Fonte como vencedores. Ambos continuam politicamente competitivos e seguem buscando construir uma solução interna.

Mas, à medida que o calendário avança sem uma definição, a pergunta deixa de ser quem vencerá a disputa dentro da Federação. Passa a ser se ainda haverá tempo para que essa vitória produza uma candidatura viável.

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