“Fazem de tudo para não perder voto de fascista”, diz Ivan Moraes ao críticar Raquel e João

“Fazem de tudo para não perder voto de fascista”, diz Ivan Moraes ao críticar Raquel e João

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A Federação PSOL-Rede oficializou, neste domingo (2), a chapa que disputará o Governo de Pernambuco nas eleições de 2026. Na convenção, Ivan Moraes (PSOL) foi confirmado como candidato ao Palácio do Campo das Princesas, tendo Alice Gabino (Rede) como candidata a vice-governadora e Paulo Rubem Santiago (Rede) na disputa por uma vaga no Senado.

Além da chapa majoritária, também foram oficializadas as candidaturas proporcionais para as eleições de 2026. Ao todo, foram homologados 56 candidatos, sendo 25 para a Câmara dos Deputados – 15 pelo PSOL e 10 pela Rede – e 31 para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), com 16 nomes do PSOL e 15 da Rede.

Durante coletiva de imprensa, os três defenderam um projeto de renovação política, reforçaram o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e apresentaram críticas aos principais adversários na disputa estadual.

No discurso, Ivan Moraes afirmou que pretende construir uma candidatura baseada na polarização de projetos para Pernambuco e direcionou críticas aos concorrentes ao governo do estado.

“Meus adversários não são da extrema-direita, mas ambos se acuam com o avanço da extrema-direita, e fazem de tudo para não perder voto de fascista. Eu não faço questão dos votos dos fascistas. Eu quero o voto do pernambucano democrata”, declarou.

Ao comentar a composição da chapa, Ivan destacou que a aliança entre PSOL e Rede foi construída a partir da afinidade política entre os integrantes e não por critérios eleitorais.

“Essa chapa que está aqui agora não foi montada por interesses diversos dos interesses políticos que a gente tem entre a gente. Aqui não teve negócio de cálculo de tempo de TV, não é uma boyband, como muitas vezes tem chapa que parece uma boyband. Ou seja, ‘eu quero uma pessoa que seja de tal tipo, aí caça ela’. A gente aqui é um trio que caminha junto há muito tempo”, diz Ivan.

Segundo o candidato, a parceria entre os integrantes da chapa é fruto de uma trajetória comum de atuação política e permitirá transformar antigas bandeiras em propostas concretas de governo. Ivan também afirmou que a candidatura busca apresentar uma alternativa às forças políticas tradicionais que comandam Pernambuco há décadas.

“Nosso discurso já é o mesmo discurso há muito tempo. E agora a gente está tendo a oportunidade de colocar o que era um discurso no papel para transformá-lo num programa. A gente tem um objetivo coletivo, que é mostrar que Pernambuco tem uma alternativa, sim, às velhas oligarquias e que essa alternativa pode dar muito o que falar nesse processo eleitoral, com muitos ganhos políticos e, quem sabe, ganhos reais eleitorais também”, revela.



Ivan Moraes (PSOL) ao lado de Alice Gabino (Rede) e Paulo Rubem Santiago (Rede) – INGRID VELOSO/IVAN MORAES

Críticas ao governo Raquel Lyra

Responsável por apresentar as propostas da chapa para a área social, a candidata a vice-governadora Alice Gabino concentrou grande parte do discurso sobre a educação, que classificou como um dos pilares para o desenvolvimento de Pernambuco.

Ao defender uma mudança na condução das políticas públicas do setor, ela criticou a atuação do Governo do Estado e afirmou que a falta de prioridade dada a isso compromete diretamente o futuro da população pernambucana.

“Um governo que não coloca a educação como seu pilar básico de governança e não privilegia a educação está fadado ao fracasso. Pernambuco viu, nessa gestão, a mudança de três secretários de Educação. E isso se dá porque não existe preocupação, responsabilidade e comprometimento com essa pasta tão importante, que funda uma sociedade”, diz.

Além das críticas à atual gestão estadual, Alice defendeu que a federação representa uma alternativa para Pernambuco.

Segundo ela, a chapa foi construída a partir de um projeto político comum, voltado para a renovação da forma de governar o estado e para a apresentação de propostas diferentes das adotadas pelas forças tradicionais que disputam o comando do governo de Pernambuco.

“Esse governo não nos representa. É por isso que a Rede Sustentabilidade entende que Ivan Moraes, Paulo Rubem Santiago, o PSOL e todo esse time que a gente vai apresentar realmente vão promover a renovação do nosso estado”, diz.

Apoio a Lula

Ao ser perguntado sobre o apoio ao presidente, Ivan Moraes também ressaltou que o PSOL está totalmente comprometido com a reeleição de Lula e defendeu que esse apoio não deve ser condicionado a interesses eleitorais em Pernambuco.

O candidato também disse que a meta é garantir pelo menos 70% dos votos para Lula em Pernambuco. Para Ivan, todos os candidatos ao Governo do Estado deveriam manter o apoio ao presidente fora de questionamento durante a campanha.

Na disputa pelo Senado, Paulo Rubem Santiago afirmou que a candidatura dele pretende discutir o papel da Casa no cenário político nacional e criticou o comportamento de parte dos parlamentares.

“Tenho observado que as outras candidaturas ao Senado hoje estão bastante vinculadas aos palanques do governo ou às candidaturas à Presidência da República. Mas o Senado tem luz própria. Nós temos observado que o Senado se transformou no centro da chantagem contra as iniciativas do governo do presidente Lula”, diz Paulo Rubem. 

Ainda sobre o cenário nacional, ele voltou a destacar a posição da federação em relação ao governo federal. Segundo ele, o apoio à reeleição do presidente é uma prioridade política da chapa, mas isso não impede que a candidatura ao Senado apresente uma agenda própria para defender os interesses de Pernambuco e fortalecer o debate nacional.

O candidato também afirmou que o Senado possui um papel próprio e vai além das disputas locais, avaliando que a Casa tem se tornado um espaço de pressão sobre as iniciativas do governo do presidente Lula.

Ele criticou a atuação de integrantes do Senado ao citar as investigações envolvendo o Banco Master e defendeu que, por representar a federação, o mandato de senador está mais ligado a um projeto nacional, diferentemente da Câmara dos Deputados, que, segundo ele, representa os eleitores de cada estado.


INGRID VELOSO/IVAN MORAES

Ivan Moraes (PSOL) ao lado de Alice Gabino (Rede) e Paulo Rubem Santiago (Rede) – INGRID VELOSO/IVAN MORAES

Mudanças em Pernambuco

No final, o candidato ao governo do estado voltou a defender a necessidade de apresentar uma alternativa política para o estado de Pernambuco e afirmou que pretende ampliar esse debate ao longo da corrida eleitoral.

“A gente tem uma necessidade muito grande de procurar fazer com que as pessoas compreendam que existe, de fato, uma possibilidade de um tipo diferente de governo”, fala.

Ele ainda reforça que a candidatura busca se diferenciar dos nomes tradicionais da política pernambucana, afirmando que quer apresentar ao eleitorado uma trajetória marcada pela atuação social, pela comunicação e pela militância política.

“A gente não está diante de uma candidatura comum, nem de um político tradicional. Está diante da candidatura de um militante social, de um jornalista, de um comunicador que está metido na política partidária há 10 anos, aprendendo muito, conhecendo todos esses defeitos e com muita vontade de falar sobre isso com a população. Eu tenho certeza de que, na hora em que a população conseguir ouvir o que eu estou dizendo, alguma coisa vai mudar”, conclui Ivan.

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