Segundo Theo Agelopoulos, vice-presidente global de Estratégia de Design para AECO da Autodesk, o principal obstáculo atual é organizar dados
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O setor global de Arquitetura, Engenharia, Construção e Operações (AECO) enfrenta um paradoxo tecnológico: gera seis vezes mais dados por projeto do que no passado, mas cerca de 95% dessas informações nunca são aproveitadas pelas empresas. O resultado dessa desconexão aparece diretamente nos caixas, com 92% dos projetos extrapolando o orçamento, o cronograma ou ambos.
Para reverter esse cenário, executivos reunidos em São Paulo durante o Design & Make Summit Brasil apontam a inteligência artificial (IA) e a automação como os principais caminhos para integrar dados e destravar ganhos de produtividade. O evento integra uma série global que já passou por capitais como Londres, Seul, Tóquio e Sydney.
Segundo Theo Agelopoulos, vice-presidente global de Estratégia de Design para AECO da Autodesk, o principal obstáculo atual é organizar o volume gerado para embasar decisões em tempo real. “Parte significativa do tempo das equipes ainda é consumida pela busca de informações espalhadas em diferentes sistemas. O objetivo é reunir esses dados em um ambiente integrado para que as decisões sejam tomadas com mais rapidez e segurança”, explica Agelopoulos.
A fragmentação gera um custo operacional expressivo. De acordo com o levantamento da Autodesk, o segmento AECO produz 149% mais arquivos do que indústrias de complexidade semelhante, fazendo com que mais de 25% da rotina semanal dos líderes seja gasta apenas na busca e análise de dados sobre os empreendimentos.
No Brasil, a urgência por eficiência ganha tração com o avanço dos investimentos em infraestrutura. Dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) indicam que o setor recebeu R$ 280 bilhões em aportes em 2025, elevando a exigência por controle rigoroso de prazos e custos.
Para Sylvio Mode, diretor-presidente da Autodesk do Brasil, a atual onda de transformação digital difere das anteriores por permitir análises preventivas profundas. “A transformação digital que vivemos hoje é diferente daquela ocorrida no passado. As novas tecnologias permitem simular alternativas de projeto, identificar conflitos antes do início das obras, prever riscos e acompanhar os ativos durante a operação. Com isso, é possível reduzir o retrabalho e ampliar o controle sobre custos e cronogramas”, afirma Mode.
Essa maturidade tecnológica se reflete na governança das companhias. Sasha Crotty, vice-presidente de Estratégia de Dados para AECO da Autodesk, aponta que 98% dos líderes já utilizam pelo menos uma ferramenta de dados de forma contínua, enquanto 65% aplicam inteligência artificial em suas diretrizes corporativas.
O próximo passo envolve a consolidação dos agentes autônomos de IA — sistemas capazes de executar tarefas, cruzar dados e gerenciar fluxos de trabalho. Cerca de 59% dos executivos planejam adotar essas soluções no intervalo de um ano.
“Os líderes estão pensando em dados não só para aprimorar seus produtos e serviços, mas como base para a estratégia de negócios e a tomada de decisão, para identificar fatores de risco durante todo o projeto e sugerir um plano de ação”, reforça Sasha Crotty.
A chamada economia Design & Make — que engloba setores como construção, arquitetura, engenharia, manufatura, mídia e entretenimento — movimenta cerca de 300 milhões de profissionais em todo o mundo. A projeção da Autodesk é de que o ecossistema gere cerca de US$ 31 trilhões em valor econômico, consolidando a transição de uma fase de testes para a integração definitiva da tecnologia na estratégia competitiva das empresas.


