Apesar de seguir à frente entre as capitais nordestinas, cidade caiu pelo terceiro ano seguido e perdeu a liderança geral da região para Eusébio (CE)
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Recife se mantém como a capital mais competitiva do Nordeste no Ranking de Competitividade dos Municípios 2026, mas a liderança vem perdendo força. A cidade caiu 8 posições nesta edição e ocupa agora a 69ª colocação nacional, terceiro ano seguido de queda desde o pico histórico de 2023, quando alcançou o 37º lugar. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (27) pelo CLP (Centro de Liderança Pública), em parceria com a Gove Digital.
A queda também tem um efeito simbólico. Pela primeira vez, Recife deixa de ser o município mais bem colocado do Nordeste como um todo. Quem assumiu o posto foi Eusébio, cidade da região metropolitana de Fortaleza, que subiu 56 posições e alcançou o 58º lugar nacional.
Cenário regional
Entre as capitais nordestinas especificamente, Recife segue na frente. Fortaleza, a segunda colocada da região nesse recorte, também caiu, 7 posições, e ocupa agora o 104º lugar nacional, distância parecida com a do ano passado entre as duas capitais.
A queda do Recife não foi um caso isolado entre as grandes capitais do Nordeste. Salvador perdeu 26 posições na comparação nacional, e Maceió teve o pior desempenho da região entre as capitais, com recuo de 38 posições. Fortaleza também recuou, de forma mais moderada, 7 posições. O resultado reforça que o movimento de queda não ficou restrito a Pernambuco, atingindo parte das principais capitais nordestinas.
Na direção oposta, os maiores avanços da região vieram das capitais menores. São Luís subiu 51 posições, Natal avançou 23, João Pessoa 20, Aracaju 19 e Teresina 17. Fora do grupo de capitais, chamou atenção o desempenho de duas cidades cearenses. Eusébio liderou a alta entre todos os municípios do Nordeste, com ganho de 56 posições, e Sobral avançou até a 135ª posição nacional. O resultado mostra que o crescimento do Ceará veio de cidades fora da capital, já que Fortaleza caiu no mesmo período.
Parte da ascensão de Eusébio está ligada ao pilar de Inovação e Dinamismo Econômico, no qual o município lidera o país em geração de empregos na economia criativa, resultado atribuído pela prefeitura a programas como o Inova Eusébio e a novos empreendimentos, como um centro gastronômico municipal. O avanço também acompanha uma melhora mais ampla da competitividade cearense, puxada neste ano pelo pilar de Potencial de Mercado do estado, impulsionado principalmente pela qualidade do crédito para pessoa física.
Força e fragilidade
Entre as capitais do Nordeste, Recife mantém boas posições relativas em quatro pilares. A cidade ocupa a 3ª posição regional em Capital Humano, ainda que tenha caído 2 posições em relação a 2025, a 4ª em Funcionamento da Máquina Pública, com queda de 1 posição, a 3ª em Inovação e Dinamismo Econômico, sem variação, e a 3ª em Sustentabilidade Fiscal, com ganho de 2 posições, a única alta entre os quatro indicadores.
Já nos pilares mais frágeis, a comparação passa a ser nacional, o que expõe a distância entre Recife e o restante do país. A capital ocupa o 75º lugar em Segurança, com melhora de 6 posições em relação a 2025, o 95º em Telecomunicações, sem variação, o 49º em Qualidade da Saúde, com avanço de 17 posições, e o 30º em Saneamento, que recuou 7 posições no mesmo período.
Queda persistente
A trajetória do Recife no ranking segue um padrão de perdas desde 2023, ano em que a capital atingiu sua melhor posição histórica. De lá para cá, a cidade caiu pelo terceiro ano consecutivo, mesmo mantendo a liderança entre as capitais nordestinas.
Já no ano passado, diante da mesma tendência, o CLP alertava para a fragilidade dessa liderança, defendendo que ela precisa ser vigiada e monitorada de forma constante.
Os dados fazem parte do Ranking de Competitividade dos Municípios 2026, que avaliou 423 municípios brasileiros com mais de 80 mil habitantes a partir de 65 indicadores, organizados em 13 pilares temáticos.



