Fracasso nos programas de renegociação de dívidas mostram que famílias não conseguem separar parcela e voltam às listas negras

Fracasso nos programas de renegociação de dívidas mostram que famílias não conseguem separar parcela e voltam às listas negras

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Informações não desmentidas pela instituição indicam que equipes do Banco Central trabalham numa série de normas para aprimorar o relacionamento digital das instituições financeiras, visando reduzir a oferta de crédito de modo a coibir eventuais abusos nas propostas agressivas de empréstimos e tentando proteger o consumidor menos informado.

Um dos focos dessas análises é a oferta de crédito pré-aprovado para clientes de financeiras não vinculadas aos chamados grandes bancos (Bradesco, Itaú, Santander, Safra, Caixa e BB) disponível nos aplicativos de instituições financeiras e especialmente nas não financeiras que usam métodos de impulsionamento nas redes sociais para despertar a atenção de clientes na tela de apresentação das instituições.

As não bancárias

O BC vai precisar fazer mais. No Sistema Financeiro Nacional existem os bancos, as caixas econômicas e as instituições não bancárias. Elas não recebem depósitos à vista, nem podem criar moeda, mas podem vender ativos não monetários como ações, CDBs, títulos, letras de câmbio e debêntures.

Também existem as sociedades de crédito, financiamento e investimento (SCFI), conhecidas como “financeiras”, que são instituições privadas que fornecem empréstimo e financiamento para aquisição de bens, serviços e capital de giro.



Endividamento das famílias brasileiras em crescimento. – Divulgação

Chegaram as fintechs

E, mais recentemente, chegaram as fintechs de crédito. No Brasil, operam várias categorias de fintechs: de crédito, de pagamento, de gestão financeira, de empréstimo, de investimento, de financiamento, de seguro, de negociação de dívidas, de câmbio e multisserviços.

A entrada das fintechs reduziu especialmente a concentração do mercado de cartões de crédito e crédito pessoal. A participação dos cinco maiores bancos, por exemplo, caiu de quase 80% para menos de 60% em 2023. Mas em alguns setores ainda há forte concentração, como crédito consignado e imobiliário.

Todos com conta

Entretanto, graças às fintechs, o número de brasileiros com acesso a serviços financeiros saltou de 119 milhões em 2012 para 175 milhões em 2024, alcançando praticamente toda a população adulta.

O problema é que o estímulo dado na gestão de Roberto Campos Neto, no Banco Central do Brasil, agora se transformou em mais fiscalização e no final do ano passado com a revogação do Decreto 12.466/25, que elevou as alíquotas do IOF.


Divulgação

Cartao de crédito para terceiros – Divulgação

Associações reclamam

As entidades do setor, entre elas as associações Zetta, Abipag, Abranet, Abfintechs, ABCD e Pagos, reclamam que, graças a modelos de negócio mais enxutos, digitais e acessíveis, as fintechs lideram a oferta de serviços financeiros entre pessoas com renda de até três salários mínimos.

O problema é que, para o Banco Central, a atuação das fintechs no mercado de cartões de crédito e crédito pessoal acabou sendo um veículo de aumento da inadimplência que chegou a 82% das famílias, segundo estudos da CNC. Porque parte do crédito, de fato, saiu dos megabancos, mas a agressividade das ofertas está travando as ações de redução de endividamento.

Oferta de crédito

Na verdade, a oferta de crédito, seja pelas fintechs, seja pelas financeiras ligadas às redes de varejo, acabou levando à contratação de mais crédito via meios digitais e também a mais inadimplência, a despeito dos feirões de limpeza de nome e programas como o Desenrola.

O caso do Mapa da Inadimplência do Serasa é um bom exemplo. No mês de julho, ele cadastrou 83,9 milhões de pessoas inadimplentes que deviam R$ 586 bilhões a algum tipo de credor. O valor é de face. Se fosse pago, cairia para menos de 10%, já que o próprio Serasa oferece 750 milhões em ofertas de negociação. Detalhe: 52,6% dessas ofertas são para quem deve entre R$ 100 e R$ 1.000,00. E acredite, 20,7% dessas ofertas são para quem deve até R$100,00.

Milhões de pessoas

É difícil entender por que milhões de pessoas não aceitam limpar seu nome pagando apenas R$100,00. Mas milhões de CPFs estão negativados porque se relacionam a contratos de até R$100,00.

Mas o que intriga os pesquisadores é o insucesso de tantas ofertas de parcelamento. Em janeiro de 2022, quando o Brasil saía da pandemia da Covid-19, o mesmo Serasa contou 64,8 milhões de pessoas inadimplentes que deviam R$ 219,5 milhões em contratos não pagos.


Reprodução/Freepik

Endividamento em decorrência da Black Friday é motivo de preocupação de especialistas – Reprodução/Freepik

Endividamento

O número do Serasa, com os números da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor – PEIC, da CNC, que revelam que 82,0% das famílias brasileiras estavam devendo, com 29,9% delas em atraso e 12,5% se declarando sem condições de pagar, mostram o fracasso de todos os programas de renegociação.

A crise na inadimplência revela um outro dado surpreendente em julho último pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito). Ao analisar o total de negativações, a instituição constatou que 86,54% foram de devedores reincidentes. Isso quer dizer o seguinte: dentro do universo de reincidentes daquele mês, a maior parte (66,27%) ainda não havia quitado pendências antigas e foi negativada novamente.

Novas dívidas

Outro dado que chama a atenção é o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento de demais pendências para os reincidentes: em julho, esse período foi de 72 dias. Isso significa que, em média, após cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence com a mesma pessoa.

Em português claro, isso quer dizer que as pessoas não estão conseguindo pagar suas contas e, quando negociam, não conseguem quitar as parcelas contratadas e, portanto, voltam a ser negativadas.

Superoferta de crédito

Uma das hipóteses que o Banco Central analisa é que no Brasil existe uma superoferta de crédito pré-aprovado. Inclusive, para consumidores negativados que alimentam a crise. Portanto, todos os programas de renegociação têm menores chances de sucesso.

Primeiro, pela incapacidade financeira do cliente de honrar as parcelas em longos prazos. Depois, pela oferta de crédito mesmo com o seu nome negativado. Finalmente, porque em milhares de casos o cliente usa as condições de adimplente depois de uma negociação recente para contratar um novo crédito e não pagar tanto ao novo como ao da renegociação.

Firma de cobrança

Finalmente existe um outro agente no ecossistema da crise da inadimplência. As empresas do chamado setor de NPLs – Non-Performing Loans que em 2025 movimentaram R$34 bilhões e cresceram 21,4%. As empresas NPL crescem na sombra da crise. Elas compram créditos podres e vão atrás dos devedores oferecendo descontos de até 90% do valor de face se o devedor pagar à vista.

Elas pagaram, no máximo, 4% pelo papel do cliente negativado e podem ter ganhos de pelo menos. Desde 2025, elas estão crescendo acima de dois dígitos, seja pelos clientes pessoa física, seja pelas empresas que entraram em Recuperação Judicial e vendem as duplicatas que não conseguiram receber dos credores. E isso, de certa forma, acaba realimentando o ciclo de inclusão de mais nomes de pessoas e empresas nos birôs de cobrança de títulos inadimplidos.


Ricardo Stucker

Presidente Lula na assinatura da lei das bets em 2023. – Ricardo Stucker

Bets provocando estresse crônico

Pesquisa da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN), realizada em parceria com o Instituto Axxus, mostra que 81,9% das pessoas diagnosticadas com ansiedade, depressão, estresse crônico ou síndrome de Burnout afirmam que as dificuldades financeiras tiveram participação relevante no desenvolvimento ou agravamento do transtorno.

O levantamento ouviu mil brasileiros de todas as regiões do país que possuem diagnóstico formal de transtornos mentais. Entre eles, 34,6% apontaram as dificuldades financeiras como o principal gatilho para o adoecimento, índice superior ao de problemas relacionados ao trabalho (20,5%), relacionamentos (11%), separação (10,9%), doenças (8,3%) e luto (5%).

A pesquisa da ABEFIN mostrou que os impactos das dificuldades financeiras atingem praticamente todos os aspectos da vida entre aqueles que convivem com transtornos mentais.

Entre os entrevistados, 69,4% têm dificuldade para pagar contas básicas; 61,2% possuem dívidas; 53,6% afirmam que a renda não cobre as necessidades do dia a dia; 64,9% tiveram prejuízo no lazer; 61,9% relataram piora no humor; 60,1% enfrentaram conflitos familiares; 56,1% tiveram problemas de sono; 42,8% perceberam queda no desempenho profissional.

Outro dado preocupante mostra que 67,2% têm uma visão pessimista sobre o próprio futuro financeiro, enquanto apenas 20% acreditam que sua situação econômica irá melhorar.


Pexels

A iniciativa tem como objetivo ampliar o acesso ao cuidado psicológico especializado por meio de atendimentos remotos – Pexels

Saúde mental

Uma pesquisa conduzida pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, mostra que grande parte dos brasileiros percebe que a saúde mental e as finanças caminham juntas e que essa relação vai muito além da preocupação com o orçamento. Para 89% dos entrevistados, problemas financeiros já afetaram de alguma forma a sua saúde mental, enquanto 80% afirmam que a falta de dinheiro e a dificuldade para pagar contas estão entre as suas maiores preocupações.

Entre os efeitos está a qualidade do sono que é impactada para 71% dos brasileiros, ante 54% registrados na edição de 2025 da mesma pesquisa; Entre os respondentes, 83% gostariam de investir mais na própria saúde mental.


Divulgação

Guanabara anuncia ligação Recife-Salvador com parada no Aeroporto dos Guararapes. – Divulgação

Parada no aeroporto

A empresa de transporte rodoviário Guanabara está anunciando a ligação de Salvador (BA) e Recife (PE) por ônibus com uma nova opção de desembarque direto no Aeroporto Internacional dos Guararapes. A rota foi iniciada nesta terça-feira (8) e facilita a chegada de passageiros que seguem viagem de avião ou têm compromissos na região de Boa Viagem.

Sinapro se reúne

O mercado publicitário pernambucano tem encontro marcado nesta sexta-feira (11), às 14h, no auditório do JCPM, no Pina. Exclusivo para associados e patrocinadores, o Cria Negócios, promovido pelo Sinapro/PE, vai conectar agências, anunciantes, veículos de mídia e fornecedores parceiros em uma rodada de negócios criada para estimular prospecção, relacionamento e negócios reais. A programação também terá a palestra de Eduardo Mattos Grandelle, sobre automação de mídia, pautas em lote e renderização

Sale do Outlet

O Recife Outlet realiza, entre de hoje (11) até domingo (13), o Super Sale, campanha que reúne marcas de moda em uma estratégia de descontos progressivos. Entre as marcas participantes estão Ciao, Clube Morena Rosa e Diesel, com descontos que chegam a 20%, dependendo da quantidade de itens adquiridos. A Lacoste também terá condições especiais para compras de três peças ou mais.

Novas profissões

Em um mercado de trabalho cada vez mais dinâmico, cíclico e marcado pela valorização de altas habilidades, escolher uma profissão deixou de ser apenas uma decisão sobre qual curso fazer. É também uma escolha sobre possibilidades de atuação e capacidade de adaptação ao futuro.

Para debater o tema, a Escola Eleva Recife promove, na próxima quinta-feira (17), na sede da escola, a 2ª Feira de Carreiras e Universidades, reunindo mais de 80 instituições do Brasil e do exterior. A programação permite que os estudantes conheçam diferentes cursos, profissões, modelos de formação e possibilidades de carreira, ampliando o repertório necessário para decisões mais conscientes. O evento é gratuito e aberto ao público, mediante inscrição.


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City Express by-Marriott em Fortaleza – Divulgação

Marriott no Brasil

A cidade de Fortaleza vai receber a primeira unidade com a bandeira City Express by Marriott no Brasil. Ele será construído próximo ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, o projeto terá 260 apartamentos e investimento estimado em R$ 80 milhões. O empreendimento integra o projeto Fábrica de Hotéis com a Marriott International, que prevê 30 hotéis City Express by Marriott no Nordeste ao longo dos próximos 15 anos. Porto de Galinhas (PE) e Natal (RN) também receberão unidades da rede.

 

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