Com terceiro deputado federal mais votado no Recife, Novo surge forte para disputa de 2028

Com terceiro deputado federal mais votado no Recife, Novo surge forte para disputa de 2028

Considerado até 2022 um partido nanico – naquele ano só teve 6 candidatos a deputado federal em Pernambuco – o Novo começou a crescer em 2023

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O Partido Novo cumpriu a cláusula de desempenho (barreira) na eleição deste ano com a ajuda da seção pernambucana que elegeu um deputado federal e teve 3,85% dos votos nominais do estado para a Câmara Federal. Considerado até 2022 um partido nanico – naquele ano só teve 6 candidatos a deputado federal em Pernambuco – o Novo começou a crescer em 2023 quando elegeu presidente estadual o advogado Técio Teles que já em 2024 foi candidato a prefeito do Recife ajudando a legenda a eleger dois vereadores na capital: Eduardo Moura e Felipe Alecrim, destaques na oposição ao ex-prefeito João Campos.

Este ano o partido lançou 26 candidatos a deputado federal e 50 a deputado estadual conseguindo, pela primeira vez, conquistar uma vaga na Câmara Federal e uma cadeira na Assembleia Legislativa. Eduardo Moura, o deputado federal, foi o terceiro mais votado no Recife onde teve 54.534 votos sendo superado apenas por Jones Manoel (influencer do PSOL) e Pedro Campos e deixando para trás dois outros nomes fortes da direita, Gilson Machado que teve 41.982 e Anderson Ferreira com 41.193 ( os dois ficaram em quaro e quinto lugares). Com esse desempenho na capital, Moura já começou a ser citado como nome de peso da direita para a disputa pela Prefeitura do Recife em 2028.

Carlos Sant’Anna é outro exemplo

Além disso o partido lançou candidato ao Senado o advogado Carlos Sant’Anna que teve 698.316 votos, superando o deputado federal Túlio Gadelha. Sobre o crescimento do Novo nos últimos três anos, Técio Teles afirma que isso se deveu ao esforço coletivo dos filiados na Região Metropolitana e no interior, o que permitiu a formação de uma chapa proporcional que, logo de cara, saiu vitoriosa. Ele tem razão.

Apesar de ter sido um dos campeões de votos no Recife, Eduardo Moura teve em todo o estado para deputado federal 113.482 votos, uma grande votação, mas foi necessário juntar seus votos aos 89.545 dos demais candidatos a federal para alcançar o quociente eleitoral de 200 mil votos necessários para conquistar uma cadeira na Câmara. Da mesma forma o deputado estadual eleito Renato Antunes teve sozinho 32.200 votos mas para completar os 107 mil votos do quociente eleitoral ele precisou somar sua votação à dos demais 49 candidatos. No total o Novo teve 121.604 votos para a Assembleia.

Esforço coletivo


Convenção do Partido Novo ocorreu nesta terça-feira (21), no Recife – Mariana de Sousa/JC

“Isso demonstra que um partido só cresce com esforço conjunto e, no caso do Novo, espalhando sua influência por todo estado – diz Teles que foi candidato a estadual e ficou na segunda suplência. Para atender a todos os candidatos do partido teve pouco tempo de trabalhar para ele próprio. Para ele “agora que vencemos a cláusula de barreira o partido vai ter tempo de TV, fundo eleitoral e partidário e isso vai nos ajudar nos próximos anos a crescer ainda mais”.

Ele conta com o resultado de 2026 para fazer valer suas reivindicações junto à direção nacional da legenda. Para vencer a cláusula de barreira foi fundamental para o partido o resultado de Pernambuco que fez o novo chegar a 10 deputados federais e completar os nove estados onde seria necessário ter mais de 1,5% dos votos. Em Pernambuco o percentual superou o necessário, chegando aos 3,86% dos votos válidos do estado para a Câmara Federal.

Indagado sobre 2028 e se o Novo terá candidato a prefeito do Recife – Eduardo Moura já se colocou à disposição- Teles afirma que é cedo para essa discussão. “A eleição de presidente está sendo encerrada este domingo, as posses serão no próximo ano e temos muito caminho pela frente’. Nos corredores do partido, todavia, as especulações giram em torno mesmo do nome de Eduardo e o que se diz é que sua votação deu à legenda a condição de disputar a Prefeitura ou de, no mínimo, sentar à mesa dos grandes partidos de centro e de direita na hora das discussões em torno do assunto, o que não era cogitado até bem pouco tempo.

Priscila: cenário nacional dará o rumo

A cientista política Priscila Lapa vê o crescimento do Novo no estado como sintoma do bolsonarismo que, segundo ela, “levou ao fortalecimento de lideranças que vão além do PL. Obviamente que o PL é o partido que agrega o maior número de atores políticos vinculados diretamente ao bolsonarismo mas outras legendas que se posicionam à direita e apontam para essa agenda também têm apresentado crescimento e se expandido eleitoralmente”.

Quanto à eleição de 2028 no Recife ela diz que “teremos o grupo político da governadora, que se fortaleceu este ano; o grupo da atual gestão, para resgatar a força política do PSB e da Frente Popular; e teremos esses nomes associados ao bolsonarismo tentando o executivo. O cenário nacional terá um papel decisivo nesse sentido, mas uma coisa é termos nomes fortalecidos no Legislativo, outra coisa é a trazer esses nomes para a lógica do voto majoritário e de uma eleição municipal. Os dois próximos anos serão decisivos para definir como esses nomes fortalecidos em 2026 conectarão com o eleitor recifense, além de como as alianças vão se estruturar no cenário local”.

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