experiências no exterior indicam caminhos para um SUS mais perto da população

experiências no exterior indicam caminhos para um SUS mais perto da população



Tema foi abordado em evento que debateu caminhos para tornar o sistema mais eficiente, ampliar o acesso e dar respostas mais rápidas a demandas locais

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BRASÍLIA – A descentralização da saúde propõe uma reorganização do sistema, com redistribuição de responsabilidades e recursos para níveis mais próximos da população. Em vez de concentrar a maior parte da assistência nos hospitais, o modelo privilegia a atenção primária, o cuidado comunitário e a integração com soluções digitais.

Mais do que uma estratégia de gestão, trata-se de um novo olhar sobre a assistência, que deixa de estar concentrada nos grandes hospitais. O tema foi abordado recentemente durante o evento Descentralização do cuidado: novas abordagens e desafios para reescrever a assistência à saúde, realizado em Brasília. Com apoio da farmacêutica Roche, o encontro debateu caminhos para tornar o sistema mais eficiente, ampliar o acesso e dar respostas mais rápidas às demandas locais.

A força desse modelo, segundo os especialistas que participaram do fórum, vai além dos indicadores: ela está no impacto direto sobre a vida dos pacientes. Ao reduzir deslocamentos longos, oferecer teleconsultas acessíveis ou possibilitar internações seguras em casa, a descentralização garante um cuidado mais próximo, personalizado e humano.

No lugar de filas e burocracia, o paciente precisa encontrar um sistema de saúde que se adapta às suas necessidades. É um cenário distante da realidade enfrentada por grande parte da população que depende do Sistema Único de Saúde (SUS).

Mas iniciativas pontuais de descentralização, que levam o cuidado para mais perto do paciente e fortalecem a atenção primária, mostram caminhos possíveis para reduzir desigualdades, melhorar o acesso e tornar o sistema mais eficiente.

Um relatório inédito, realizado pela consultoria Frontier View, com o apoio da Roche, avaliou os resultados dessa forma de gestão do cuidado no Reino Unido, Singapura, Holanda e Bélgica. Os achados foram apresentados durante o evento em Brasília e mostrou indicadores de impacto assistencial, econômico e de acesso nesses países.

Os dados revelam que o modelo de gestão do cuidado descentralizado no Reino Unido teve redução de 12% nas admissões hospitalares em 2022, em comparação com 2019. Isso representa 800 mil internações a menos, além de queda de 21% em admissões eletivas e de 9% nas emergenciais.

Na Bélgica, um projeto-piloto para pacientes com insuficiência cardíaca reduziu as readmissões em 15% e diminuiu o tempo médio de deslocamento em regiões rurais de 45 minutos para 15 minutos.

No caso de Singapura, um programa que leva o cuidado hospitalar para a casa dos pacientes poupou 7 mil dias de leito até meados de 2023 e aumentou em 40% as teleconsultas. Já na Holanda, uma outra iniciativa gerou uma economia anual de 2 milhões de euros e aumentou o acesso ao cuidado remoto em 20%.

Esses retratos do relatório evidenciam que, no Brasil, a descentralização do cuidado precisa ganhar força, pois pode reduzir desigualdades e ampliar o acesso à saúde, aproximar serviços do paciente e fortalecer a atenção primária, especialmente onde há infraestrutura limitada. 

“Precisamos transformar essas experiências em políticas permanentes e estruturadas, pois são fundamentais para garantir a sustentabilidade dos sistemas de saúde”, disse o pesquisador da Fiocruz José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde, que participou do evento. 

“Ao organizar o cuidado próximo da população e otimizar recursos de forma regionalizada, essas estratégias reduzem pressões desnecessárias sobre hospitais, reduzem internações e promovem o uso mais racional e eficiente dos recursos públicos.”

O estudo destaca que o Brasil pode adaptar os aprendizados dessas experiências para construir um modelo integrado e sustentável, ao considerar suas especificidades. No SUS, destaca-se a Estratégia Saúde da Família, que atua a partir de equipes multiprofissionais em territórios definidos, ao integrar médicos, enfermeiros e agentes comunitários que conhecem de perto as demandas das comunidades e trabalham de forma preventiva e contínua.

Outro exemplo é a utilização histórica de escolas, centros comunitários e outros espaços públicos como pontos de vacinação, o que amplia o acesso e facilita a adesão da população às campanhas. 

“O debate sobre descentralização é indispensável para redesenhar o acesso à saúde no Brasil. Os resultados internacionais mostram que é possível reduzir internações, melhorar a experiência dos pacientes e otimizar recursos públicos e privados”, sublinhou a líder de estratégia de dados em saúde da Roche, Cintia Scala. 

*A jornalista acompanhou o evento a convite da Roche. 



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