Sabatina de Jorge Messias no Senado exige maior preparo dos senadores, avalia cientista político

Sabatina de Jorge Messias no Senado exige maior preparo dos senadores, avalia cientista político

Jorge Messias será sabatinado pelo Senado no dia 28 de abril – JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

A sabatina do advogado-geral da União Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) está marcada para esta quarta-feira (28). O processo passa, primeiro, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, etapa obrigatória para qualquer indicado à corte, e, em seguida, vai ao plenário, onde Messias precisará de maioria simples: ao menos 41 dos 81 votos dos senadores.

O cientista político Rodolfo Marques avalia que a aprovação é provável, mas não tranquila. Ele cita como parâmetro o caso do ministro Flávio Dino, o último a ser sabatinado, que obteve 47 votos. “A tendência é que seja uma votação acirrada, mas acredito que ele vai atingir o mínimo necessário para entrar na corte”, afirmou.

Marques chama atenção para o perfil do indicado. Messias é considerado jovem para o cargo e tem trajetória ligada tanto ao meio acadêmico quanto à Advocacia-Geral da União (AGU), onde atua atualmente. O cientista político, porém, ressalta que o posto de advogado-geral da União carrega uma vinculação política intrínseca: o ocupante do cargo representa a União e é escolhido diretamente pelo presidente da República.

“Governo Bolsonaro, o AGU era ligado ao Bolsonaro. Governo Temer, idem. E agora, no governo Lula, o advogado-geral da União acaba sendo ligado ao Lula e ao próprio Partido dos Trabalhadores”, pontuou Marques.

O professor também criticou a qualidade do processo de sabatina. Segundo ele, a maioria dos senadores que vão arguir Messias sequer leu sua tese de doutorado. Para Marques, um escrutínio mais rigoroso exige avanços em dois aspectos: maior preparo dos parlamentares e mais cobertura da imprensa.

“Quanto mais a gente trouxer elementos que possam munir os senadores ou a própria imprensa para perguntar ao Jorge Messias o que ele pensa sobre determinados assuntos, melhor”, defendeu.

O cientista político listou temas que devem chegar à pauta do STF nos próximos anos e sobre os quais seria fundamental conhecer a posição do indicado antes da posse: legalização do aborto, pena de morte — caso o tema venha a ser debatido —, exploração de terras raras e eventuais questões ligadas a estado de emergência.

“Parte do que ele pensa está na sua tese de doutorado, mas certamente, como qualquer outro ser humano, ele é multidimensional. Para colocá-lo num cargo tão importante como ministro do Supremo, é importante conhecê-lo para além da vinculação política que todos nós temos”, concluiu Marques.

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