Nova NR-1 faz com que empresas se aproximem de Compliance, Qualidade e Saúde Mental na gestão corporativa

Nova NR-1 faz com que empresas se aproximem de Compliance, Qualidade e Saúde Mental na gestão corporativa

Foto: Distribuição

Especialista aponta que atualização da norma transforma saúde ocupacional em tema estratégico e amplia risco jurídico para empresas sem processos estruturados

A entrada definitiva em vigor da atualização da NR-1, prevista para 26 de maio deste ano, deve provocar uma das maiores mudanças recentes na gestão corporativa brasileira. Mais do que uma adequação trabalhista, a nova regulamentação passa a exigir das empresas uma estrutura integrada de governança envolvendo Compliance, Qualidade, Recursos Humanos e Segurança do Trabalho.

A avaliação é de Susan Molinari, coordenadora de processos internos, com atuação em gestão da qualidade, compliance e processos corporativos na NWADV, que alerta para a mudança de paradigma trazida pela Portaria MTE nº 1.419/2024.

“A nova NR-1 deixa claro que não basta mais prevenir acidentes físicos. As organizações agora também precisam identificar, monitorar e tratar riscos psicossociais, como estresse, assédio moral, sobrecarga e ambientes tóxicos. Isso exige uma gestão muito mais estruturada e integrada”, afirma.

A NR-1 é considerada a norma base da Segurança e Saúde no Trabalho no Brasil, responsável por estabelecer diretrizes gerais para todas as demais normas regulamentadoras. Com a atualização, os riscos psicossociais passam oficialmente a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Na prática, isso significa que as empresas deixam de atuar apenas de forma reativa e passam a ser cobradas por mecanismos preventivos, contínuos e documentados.

Segundo Susan, um dos principais impactos será o fortalecimento da cultura de governança corporativa dentro das organizações. “O que antes era visto como diferencial operacional passa a ser requisito regulatório. Workflows, processos, critérios objetivos e procedimentos bem definidos deixam de ser burocracia e passam a ser instrumentos essenciais de conformidade, rastreabilidade e proteção jurídica”, explica.

A especialista destaca que empresas que ainda operam com processos informais ou baixa integração entre áreas tendem a enfrentar mais dificuldades para atender às exigências da nova norma — especialmente em casos de auditorias, ações trabalhistas e reconhecimento de doenças ocupacionais, como burnout.

Outro ponto de atenção envolve o reposicionamento do Compliance dentro das organizações.

“Compliance não pode mais ser tratado apenas como código de ética e treinamento anual. A nova NR-1 exige mecanismos efetivos de prevenção, canais de denúncia funcionais, controles internos e capacidade real de identificar riscos comportamentais e organizacionais”, diz.

A atualização também aproxima as exigências trabalhistas das práticas de gestão da qualidade já adotadas por empresas certificadas em normas como a ISO 9001.

Para Susan, o movimento aponta para uma convergência entre Compliance, Qualidade e gestão de pessoas.

“A lógica da melhoria contínua, da gestão baseada em evidências e da abordagem por riscos passa a ser aplicada também à saúde mental e ao ambiente organizacional. As empresas mais maduras vão integrar NR-1, Compliance e Qualidade em um único ecossistema de gestão”, afirma.

Entre os impactos do descumprimento da norma estão multas administrativas, aumento de passivos trabalhistas, danos reputacionais, dificuldades em auditorias e maior índice de turnover e conflitos internos.

Apesar dos desafios, a especialista avalia que a atualização representa uma oportunidade de evolução organizacional.

“As empresas que aproveitarem esse momento para estruturar processos e fortalecer mecanismos de controle estarão mais preparadas para crescer de forma sustentável, alinhadas às tendências globais de ESG, governança e saúde mental corporativa”, conclui.

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