As doenças cardiovasculares provocam mais mortes em mulheres do que câncer de mama, câncer de pulmão e doenças pulmonares crônicas somados
Aisha Vitória
Publicado em 26/05/2026 às 15:39
| Atualizado em 26/05/2026 às 15:41
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As doenças cardiovasculares seguem entre as principais causas de morte entre mulheres no Brasil. Segundo dados do DataSUS, uma mulher morre a cada 11 minutos em decorrência de infarto agudo do miocárdio no país.
De acordo com a cardiologista Egle Costa Oppi, gerente médica executiva da Biolab Farmacêutica, as doenças cardiovasculares provocam mais mortes em mulheres do que câncer de mama, câncer de pulmão e doenças pulmonares crônicas somados.
A especialista afirma que o diagnóstico e o tratamento cardiovascular em mulheres exigem atenção específica, já que a manifestação das doenças pode ser diferente da observada nos homens.
“Enquanto nos homens os problemas costumam atingir grandes artérias, nas mulheres é mais comum o comprometimento de vasos menores, o que pode dificultar a identificação em exames tradicionais”, explica.
Fatores de risco podem ser mais agressivos
Segundo Egle Costa, fatores de risco conhecidos, como diabetes e hipertensão, tendem a ter um impacto maior no organismo feminino.
Mulheres com diabetes, por exemplo, apresentam risco cardiovascular mais elevado em comparação aos homens na mesma condição. Além disso, alterações hormonais ao longo da vida podem influenciar diretamente a saúde do coração.
A cardiologista destaca que condições como síndrome dos ovários policísticos, endometriose, miomas, menopausa precoce, lúpus e enxaqueca crônica também podem aumentar o risco cardiovascular.
“O modelo de prevenção cardiovascular voltado para mulheres não pode ser simplesmente uma adaptação do que já é feito para homens. Existem características biológicas e hormonais que precisam ser consideradas”, afirma.
Tratamento e prevenção exigem acompanhamento individualizado
Especialistas recomendam que o cuidado cardiovascular feminino seja acompanhado de forma multidisciplinar, envolvendo cardiologistas, ginecologistas e outros profissionais da saúde.
A gravidez e a menopausa, por exemplo, podem servir como períodos importantes para identificar riscos futuros. Exames de rotina também podem ajudar na detecção precoce de alterações cardiovasculares.
Outro ponto de atenção está nos efeitos colaterais dos medicamentos para hipertensão. Segundo a cardiologista, mulheres tendem a apresentar mais reações adversas, como inchaço nos tornozelos, o que pode levar à interrupção do tratamento.
“Quando o desconforto causado pelos efeitos colaterais é grande, muitas pacientes deixam de tomar a medicação corretamente, o que aumenta o risco de complicações cardiovasculares”, explica.
Busca por tratamentos mais específicos
A especialista aponta que novas abordagens buscam desenvolver medicamentos mais ajustados às características do organismo feminino.
Entre elas está o uso de moléculas de maior precisão, como o levanlodipino, desenvolvido para atuar com menor carga química no organismo e reduzir efeitos colaterais associados ao tratamento da hipertensão.
Segundo a Biolab, estudos apontam redução significativa de inchaços nos pés e tornozelos com o uso da tecnologia, favorecendo a continuidade do tratamento a longo prazo.
A farmacêutica mantém há quatro anos a iniciativa “Biolab Juntos por Elas”, voltada à conscientização sobre saúde cardiovascular feminina.
“O tratamento precisa considerar as diferenças biológicas das mulheres para ser mais seguro e eficaz”, concluiu.
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