Caso Master fulmina líder do governo Lula no Senado

Caso Master fulmina líder do governo Lula no Senado


O que é mais grave, Dark Gate, pedido de dinheiro para financiar filme sobre Bolsonaro; ou Acarajé Gate, suposto pagamento de propina ao líder de Lula

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O EMARANHADO JAQUES WAGNER
Uma teia de fios emaranhados, quase todos desencapados, que envolve uma carteira de crédito consignado, um líder com trânsito na cozinha do presidente da República e um banqueiro ávido por dar calotes e corromper políticos. Coloque todos os ingredientes no gabinete do líder do governo do presidente Lula da Silva (PT) e o resultado foi revelado na nova fase da Operação Compliance Zero, nesta quinta-feira (18).

ANTES DA IMPLOSÃO
O presidente Lula ligou para seu líder para manifestar solidariedade. Segundo o próprio homenageado, Lula pegou o telefone e ligou para o “galego”, como trata seu líder no Senado, para “se solidarizar e dizer que mantém absoluta confiança”.
– Ele [Lula] só ligou para dizer: ‘Fique firme. Essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança’, contou Jaques Wagner.

DIZENDO O ÓBVIO
Quem está com sorriso de canto a canto é o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
– A gente sabe que foi ali, no PT da Bahia, a origem, o cerne de todo esse esquema que desaguou na questão do Banco Master, comemorou.

DARK HORSE X ACARAJÉ HORSE
Flávio, que hoje atira pedras em Jaques Wagner, é o mesmo que bateu à porta do Banco Master para pedir dinheiro para concluir a cinebiografia do pai, Jair Bolsonaro (PL).

FOGO AMIGO
Enquanto Lula manifesta “total confiança” em seu líder, o deputado Rogério Correia (PT-MG) quer que o colega de partido deixe a liderança do governo “até para não afetar o governo” e tire um tempo “para se dedicar à sua defesa, resguardando a presunção de inocência”, escreveu em uma rede social.

TÁ COM A GOTA…
A justificativa para a “dinheirama” guardada em casa, cerca de R$ 450 milhões, seria referente a diárias internacionais como senador da República.

VAI QUE…
…eles se encontrem. Justificativa do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para manter, temporariamente, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro na carceragem da Polícia Federal.

FICA ONDE ESTÁ
Mendonça quer evitar que Vorcaro dê de cara com o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, preso na Papuda.

CADÊ A CPMI?
A oposição havia preparado um roteiro de discursos para ressaltar o papel do líder do governo no esquema de corrupção do Banco Master. Estava tudo programado, mas aí veio o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e cancelou a sessão do Congresso.
– Nós já estávamos com o requerimento pronto para ser votado, forçando Alcolumbre a ler o requerimento da CPMI para investigar o Banco Master, disse à coluna o senador Izalci Lucas (PL-DF).

INTELIGÊNCIA NATURAL
Nem a capacidade de máquinas em executar funções técnicas seria tão eficiente quanto o diálogo entre o advogado Daniel Monteiro e o lobista Guilherme Martins, envolvidos no caso Master, capaz de surpreender até os algoritmos. Segundo a PF, Monteiro escreveu uma mensagem para Martins: “A altura do vão é 2,45m.”
“Perfeito”, respondeu o advogado.

DESVENDANDO OS ESQUEMAS
Para a Polícia Federal, ao mencionarem que a “altura do vão é 2,45m”, eles estariam se referindo ao valor do apartamento — R$ 2,45 milhões — que fazia parte das tratativas de Jaques Wagner com o banqueiro Augusto Ferreira Lima, já que a medida [2,45m] não fazia nenhum sentido “naquele diálogo”.

PENSE NISSO!
“Pobre país carregador / Dessa miséria dividida / Entre Ipanema / E a empregada do patrão / Varrendo lixo /Prá debaixo do tapete / Que é supostamente persa / Prá alegria do ladrão”

Dedé Caiano (1950–2003) e Raul Seixas (1945–1989) compuseram a canção “Anos 80” para mostrar que, naquela década, com o fim da Ditadura Militar, havia uma certa desorientação acompanhada de análises sobre as desigualdades sociais.

Vale, certamente, para os dias de hoje. Bastou a imprensa dar a notícia de que o líder do governo Lula da Silva (PT), senador Jaques Wagner (PT-BA), havia sido atingido pelo raio da Operação Compliance Zero e a turma que apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desovou seu estoque de fogos de artifício.

Flávio, enrolado no Dark Gate — ao pedir dinheiro a Vorcaro para financiar o filme sobre o pai — e Jaques Wagner, chamuscado pelo Acarajé Gate, que lhe assanhou a trunfa por suas ligações com o esquema de corrupção do Master, na Bahia. Impossível saber o que é pior.

Mas, para o Brasil, é muito ruim que um candidato à Presidência e o homem de confiança do presidente da República, no Senado Federal, estejam enredados no mais grave esquema de corrupção já revelado.

“Pobre país…”

Pense nisso!

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