“Alice no País das Maravilhas” ganha versão em cordel com Lampião, Maria Bonita e Comadre Fulozinha

“Alice no País das Maravilhas” ganha versão em cordel com Lampião, Maria Bonita e Comadre Fulozinha

Dupla indicada ao Jabuti relê clássico do autor inglês Lewis Carroll e transforma em versos e estética regional uma obra da Era Vitoriana

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Lampião, Maria Bonita e Comadre Fulozinha se reúnem para uma nova versão de uma obra originalmente inglesa. Agora em cordel, “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, ganha traços nordestinos e se aproxima de um mundo do outro lado do oceano com uma oralidade rica em humor.

Lançada pela Editora Yellowfante, “Alice no País das Maravilhas em cordel” é uma nova leitura do clássico em versos de Josué Limeira e com ilustrações de Vladimir Barros.

Mantendo o enredo original, o livro reconta a história a partir do imaginário e dos costumes da cultura popular brasileira, com referências ao sertão e visual tropicalista.

O livro propõe uma leitura renovada para uma história que atravessa gerações e ganha novo alcance quando relida a partir de repertórios locais.

Da Era Vitoriana, Alice entra em um mundo tropicalista, no cangaço e no Carnaval de Pernambuco.

Na história, o Chapeleiro Maluco é inspirado em Mateus de Catirina, um cortejo de maracatu apresenta o Rei e a Rainha de Copas – que são Lampião e Maria Bonita –, as cartas que formam os soldados são caboclos de lança, a Duquesa tem traços de Comadre Fulozinha e o artesanato de couro é usado pelos personagens.

“Eu sempre procuro mesclar com as raízes nordestinas, de movimento armorial e de xilogravura para fazer o casamento dessas artes visuais para criar algo novo, mas que não necessariamente a gente só mostre uma referência que vem de fora: a gente adapta, lê, entende e mostra a nossa forma, traz para o quintal da nossa casa”, explica Vladimir.



“Alice no País das Maravilhas” ganhou versão em cordel, por Josué Limeira e Vladimir Barros – Eduarda Nóbrega/JC

A proposta é assimilar o original e incorporar a identidade local. Segundo Josué, outro objetivo é levar as rimas, métricas e traços identitários do cordel para as escolas.

“O objetivo é trazer a essência do clássico, mas levar também um cordel para uma situação de convívio no ambiente escolar. É um processo de criação literária que nasce através do professor, que é um profissional às vezes tão desvalorizado”, destaca.

No processo literário, o escritor conta que estuda a história original, escuta podcast, resenha e assiste a filmes que o aproximem do universo do autor. A partir daí, transpõe a narrativa para o cordel e para um ambiente sertanejo sem perder de vista os sentidos centrais do original.

Outras obras

Este é o quarto livro que faz releitura de clássicos lançado pela dupla. Josué Limeira e Vladimir Barros já reinventaram “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, e “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry. Os dois últimos títulos foram indicados ao Prêmio Jabuti, em 2016 e 2024.

“Dos livros aqui que a gente já escreveu, o que mais se aproxima do cordel é Alice, que tem muita similaridade com o universo onírico, o universo dos sonhos, o universo da imaginação”, explica Josué.

Sobre o autor

Josué Limeira da Silva Júnior nasceu em Recife em 1965. É escritor, poeta e cordelista, formado em Gestão de TI pela Universidade Paulista (UNIP). Foi indicado ao Prêmio Orgulho de Pernambuco na categoria Literatura e foi finalista do Prêmio Jabuti, em 2016, com o livro “O Pequeno Príncipe em Cordel”.

Sobre o ilustrador

Vladimir Barros de Souza nasceu em Recife em 1985. É formado em Design pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pelo Instituto Federal de Pernambuco (IFPE). Leva em seu traço características regionais da cultura pernambucana, e em seu currículo, prêmios como o Cristina Tavares, de Jornalismo.

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