Uma missionária evangélica foi presa preventivamente na quinta-feira (16), durante uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso que investiga a atuação de um grupo suspeito de dar suporte a uma facção criminosa por meio de um projeto de assistência religiosa em presídios do estado.
A principal investigada é Rhavenna Barcelos de Almeida, de 24 anos. De acordo com a apuração, ela aproveitava o trabalho desenvolvido com pessoas privadas de liberdade para estabelecer contato com integrantes da organização criminosa, intermediar a comunicação entre presos e criminosos em liberdade e auxiliar a estrutura do grupo.

Missionária Rhavenna Barcelos de Almeida, de 24 anos. Foto: Reprodução/Redes sociais/Imagem melhorada com IA
Os pais de Rhavenna, os pastores evangélicos Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, também passaram a ser investigados. Eles foram alvo de mandados de busca e apreensão, mas permaneceram em liberdade.
A prisão faz parte da Operação Fariseus, que também cumpriu medidas de quebra de sigilos telefônico, bancário e de dados dos investigados. A Justiça ainda proibiu temporariamente o acesso deles às unidades prisionais por meio de projetos religiosos.
Até a publicação desta reportagem, a defesa de Rhavenna informou apenas que não irá comentar o caso. Os representantes legais dos pais dela ainda não haviam se manifestado.
Da direita à esquerda: pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, e a filha Rhavenna Barcelos de Almeida — Foto: Reprodução
Investigação
As investigações são conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Segundo a Polícia Civil, as provas reunidas indicam que a atuação dos investigados ia além da evangelização de detentos.
Rhavenna se apresenta nas redes sociais como designer de sobrancelhas e integrante do projeto Resgatando Vidas, iniciativa voltada ao acompanhamento espiritual de presos da Penitenciária Central do Estado (PCE). Para os investigadores, porém, o projeto também teria servido para fortalecer a comunicação entre membros da facção.
Durante a apuração, a polícia afirma ter reunido fotografias, vídeos, conversas e movimentações financeiras que reforçariam essa suspeita. Entre os materiais analisados estão imagens em que a missionária aparece ao lado de integrantes da organização criminosa e, em uma delas, segurando uma arma de fogo. Os pais dela também aparecem em registros fotográficos com pessoas apontadas como membros da facção.
Segundo o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, a influência exercida pelo casal como líderes religiosos teria sido utilizada para facilitar os interesses do grupo criminoso.
Viagens e movimentações financeiras são investigadas
Outro ponto levantado pela investigação envolve mulheres ligadas ao projeto religioso. Conforme a Polícia Civil, elas viajavam com frequência ao Rio de Janeiro para visitar áreas controladas pela facção, onde mantinham contato direto com integrantes da organização. A suspeita é de que parte dessas viagens tenha sido financiada pelos próprios criminosos.
A polícia também aponta que o acesso às unidades prisionais permitia a transmissão de recados entre presos e pessoas em liberdade, além de aproximar detentos de familiares e de lideranças da facção.
Os investigadores ainda identificaram ligações telefônicas, videochamadas e operações bancárias consideradas suspeitas. A suspeita é de que recursos provenientes da organização criminosa fossem enviados a familiares por meio de contas de terceiros, estratégia que teria sido utilizada para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Ao fim das investigações, os envolvidos poderão responder por crimes como organização criminosa, corrupção de menor, tortura e lavagem de dinheiro.
Rhavenna Barcelos de Almeida, presa durante a Operação Fariseus — Foto: Reprodução



