Duas alunas de 14 anos relataram às famílias que foram vítimas de abuso dentro da unidade; caso está sendo investigado pela Polícia Civil
JC
Publicado em 06/08/2026 às 20:02
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Duas adolescentes de 14 anos denunciaram ter sido vítimas de violência sexual dentro de uma escola municipal do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. Segundo as acusações, os suspeitos seriam colegas das vítimas.
As identidades das adolescentes, da unidade de ensino e do bairro onde o caso aconteceu não serão divulgadas para preservar as vítimas, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
De acordo com o relato de uma das mães, a filha chegou em casa nervosa e chorando antes de contar o que teria acontecido dentro da escola.
“Minha filha chegou em casa muito nervosa, chorando, e falou: ‘Mamãe, eu tenho um negócio para lhe contar. Me trancaram dentro dessa sala de aula, tamparam minha boca, apalparam minhas partes, me derrubaram no chão, e eu pedindo socorro, socorro, e ninguém ouviu’”, contou.
Ainda segundo a mãe, inicialmente a adolescente teria relatado a participação de cinco meninos, mas, durante o depoimento, teria sido confirmado o envolvimento de oito alunos que estudam com ela.
Em nota, a Polícia Civil informou que o caso está em investigação. Por envolver menores de idade, o procedimento segue sob sigilo e mais informações não podem ser divulgadas para preservar as vítimas e os detalhes da investigação.
Vitimas sofreram ameaças para não denunciar
A mãe da adolescente também contou que a jovem não havia denunciado antes por medo das ameaças feitas pelos suspeitos.
“[A jovem disse]: ‘Eles ameaçaram que iam me matar na saída da escola se eu contasse para a senhora e toda a minha família’. Então, por medo, ela ficou no silêncio. Como aconteceu o mesmo caso com a coleguinha dela, foi o que encorajou ela a me contar”, relatou a mãe.
A mãe da segunda vítima afirmou que a filha também estuda na mesma sala da outra adolescente. Segundo ela, o caso teria acontecido na segunda-feira.
A estudante, que permanece na escola em período integral, teria chegado em casa bastante nervosa e se trancado no banheiro. A mãe disse que tentou entender o que havia ocorrido, mas a adolescente não quis falar naquele momento.
“Foi dormir assustada. Ela pediu perdão por não ter me contado, porque os meninos ameaçaram”, afirmou.
As famílias questionam a atuação da escola e cobraram por respostas sobre como a situação teria ocorrido dentro da unidade sem ser percebida por gestores ou funcionários. “Não vou deixar impune, eu quero justiça”, disse uma das mães.
Prefeitura do Cabo se pronuncia
A Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho informou, por meio de nota, que, desde que tomou conhecimento da denúncia, adotou medidas para garantir a proteção das possíveis vítimas e a apuração dos fatos.
“As estudantes estão sendo acolhidas e recebendo o acompanhamento necessário. A Secretaria também está disponibilizando suporte jurídico e psicológico às partes envolvidas, respeitando o sigilo e a preservação dos direitos de todos”, comunicou a gestão municipal.
Também foi instaurado um procedimento administrativo para investigar o caso, que está sendo acompanhado pelo Ministério Público, Conselho Tutelar e demais autoridades.
A Secretaria Municipal de Educação afirmou ainda que não houve omissão por parte da gestão da unidade escolar ou da própria Secretaria, e que todas as providências cabíveis foram adotadas após a denúncia chegar ao conhecimento da administração.



