Eleição de 2026 bate marca histórica de chapas “puro-sangue” na disputa pelo Planalto desde 1989

Eleição de 2026 bate marca histórica de chapas “puro-sangue” na disputa pelo Planalto desde 1989

A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para vice de Flávio Bolsonaro (PL) consolidou a chapa puro-sangue do PL e levou a eleição presidencial de 2026 a um recorde desde a retomada do voto direto. Das 13 candidaturas lançadas até o momento, 12 são “chapas puro-sangue”, o equivalente a 92,3% do total.

Com a escolha do deputado alagoano, Flávio passou a integrar o grupo de candidatos que optaram por chapas formadas integralmente por integrantes de suas próprias legendas. Estão nessa situação, entre outros, Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab (PSD), Romeu Zema e Eduardo Girão (Novo), Renan Santos e Aroldo Medina (Missão), Samara Martins e Raquel Brício (UP), Leonardo Avalanche e Tenente Dalma (PRTB), além das duplas lançadas por PCB, PSTU, PCO e Democracia Cristã.

O percentual supera o registrado em 2014, quando dez das 11 chapas, ou 90,9%, eram formadas por integrantes da mesma legenda. Em números absolutos, as 12 chapas puro-sangue deste ano representam o maior total desde a eleição presidencial de 1989, quando 19 das 22 candidaturas seguiram esse modelo. Na oportunidade, uma chapa formada por candidatos do mesmo partido venceu a disputa. Fernando Collor de Mello e Itamar Franco concorreram pelo extinto PRN, na única vitória de uma composição puro-sangue desde a redemocratização.

Em 2026, apenas uma chapa não terá os candidatos a presidente e a vice do mesmo partido, formada pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, filiado ao PT e pelo atual vice Geraldo Alckmin, do PSB.

Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, especialistas avaliam que o cenário reflete o enfraquecimento das alianças nacionais. Entre os fatores apontados estão a maior autonomia financeira dos partidos, que passaram a controlar uma parcela crescente dos recursos públicos, além das mudanças nas regras eleitorais.

A escolha por Gaspar

O deputado Alfredo Gaspar foi escolhido como vice de Flávio Bolsonaro após o senador tentar atrair PP, União Brasil, Republicanos e Podemos para uma aliança nacional. No entanto, os partidos declararam neutralidade na disputa presidencial e liberaram seus diretórios estaduais para apoiar Lula ou Flávio conforme as articulações locais. MDB e Solidariedade adotaram a mesma posição.

Apesar da chapa puro-sangue, integrantes do PL rejeitam a avaliação de isolamento. O partido mantém a expectativa de que parte das siglas de centro possa apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro ao longo da campanha, principalmente em um eventual segundo turno. A cúpula também aposta em uma aproximação gradual com a federação União Progressista e mantém o Republicanos no radar.

PT e PL apostam em acordos estaduais

O cenário nacional não impede a formação de alianças táticas nos estados. PT e PL encerram as convenções partidárias priorizando a disputa presidencial, mas com acordos regionais envolvendo legendas de centro.

O PL terá candidatos próprios ao governo em 14 estados, enquanto o PT disputará 12 governos estaduais. Na maioria desses palanques, os dois partidos permaneceram restritos aos seus respectivos campos políticos, sem conquistar apoios formais de partidos de centro.

Na direita, o cenário é mais fragmentado, com disputas internas por protagonismo. Isso ampliou o número de chapas puro-sangue do PL nas eleições estaduais. Em 2022, o partido lançou candidato a governador e vice da própria legenda em apenas três estados. Em 2026, esse número subiu para dez, incluindo grandes colégios eleitorais como Rio de Janeiro e Minas Gerais.

As alianças mais amplas do partido ficaram concentradas em Santa Catarina, onde Jorginho Mello disputa a reeleição, além do Rio Grande do Sul e do Rio Grande do Norte.

Na tentativa de compensar a falta de aliados formais no centro, os dois partidos passaram a construir acordos regionais. O PT deve apoiar cinco candidatos a governador do PSD, dois do MDB, um do PP e um do União Brasil, em troca de apoio à candidatura de Lula.

Já o PL articulou apoio a candidatos a governador de outras siglas em 11 estados, priorizando nomes do PP, União Brasil e Republicanos. No entanto,

Flávio Bolsonaro não terá no primeiro turno o apoio de ACM Neto (União Brasil-BA), Ciro Gomes (PSDB-CE) e Dr. Furlan (PSD-AP).

Senado vira prioridade

A disputa pelo Senado também deve ser um dos principais campos de batalha entre os dois partidos. A formação de uma maioria na Casa é tratada como estratégica diante de possíveis embates com o Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive em relação a eventuais pedidos de impeachment de ministros.

O PL lançou 33 candidatos ao Senado em 25 unidades da federação e deixou de apresentar nomes apenas no Amapá e em Alagoas. Já o PT lançou 19 candidaturas próprias em 17 estados e também apoiará nomes de partidos aliados

 

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