autonomia financeira dá à mulher liberdade para escolher o próprio caminho

autonomia financeira dá à mulher liberdade para escolher o próprio caminho

Da divisão das despesas à maternidade, episódio do videocast mostra como as finanças influenciam decisões, relações afetivas e segurança das mulheres

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Ter renda própria, participar das decisões financeiras e construir uma reserva refletem numa liberdade para escolher os rumos da própria vida. Para mulheres, no entanto, o dinheiro é um tópico ainda mais sensível. Desigualdade salarial, sobrecarga, custos específicos e uma educação que historicamente as afasta das decisões econômicas ainda criam obstáculos para essa autonomia.

Esse foi o ponto de partida do 12º episódio do videocast Uma por Uma, apresentado pela jornalista Natalia Ribeiro. A conversa reuniu a consultora financeira Luciana Batista, a advogada especialista em Direito de Família Roberta Sousa e, com participação especial, a executiva de contas do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação Adriane Alves.

Para onde vai o dinheiro das mulheres? Autonomia financeira e a liberdade feminina

O dinheiro da casa

“Todo assunto é assunto para a mulher, inclusive dinheiro”, abre a consultora certificada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Segundo Luciana, ainda é comum que a mulher ocupe um papel secundário nas decisões sobre o orçamento familiar, tanto em famílias de baixa renda quanto entre casais com maior poder aquisitivo.

Ela explica que parte dessa dificuldade em lidar com o dinheiro da casa começa ainda na formação social. Enquanto meninos podem ser estimulados desde cedo a empreender e negociar, meninas muitas vezes são direcionadas ao cuidado do lar. Quando adultas, “para o papel de administrar, economizar e enxugar a conta da casa”.

 



Luciana Batista, consultora financeira – Jailton Jr./JC Imagem

Nesse momento, a advogada Roberta Sousa acrescenta que discutir dinheiro, patrimônio e expectativas é parte da construção de um relacionamento mais seguro. Ela lembra que o casamento é um contrato e que existem diferentes regimes de bens, por isso, conhecer as possibilidades jurídicas antes de oficializar uma união pode evitar conflitos posteriores.

Mudanças ao longo da vida, como desemprego, doença, necessidade de ajudar familiares, chegada dos filhos e até um possível divórcio podem alterar completamente o orçamento de uma família, fragilizando a segurança financeira das mulheres que não têm um patrimônio ou reserva própria.

Adriane Alves, que lida diariamente com finanças, relatou já ter presenciado situações em que a falta de autonomia econômica contribuía para que mulheres se sentissem “completamente impotentes, incapacitadas de tomar decisões. E muitas vezes a dependência é não só financeira, mas também emocional”.

A relação entre dinheiro e segurança ganha um peso ainda maior quando o debate chega à dependência financeira e à violência contra a mulher. Dados apresentados durante o programa apontam que 61% das mulheres afirmam que a dependência financeira impede a denúncia de agressões, segundo pesquisa da Universidade de Brasília.


Jailton Jr./JC Imagem

Adriane Alves, executiva de contas do SJCC – Jailton Jr./JC Imagem

O custo de ser mulher

Luciana propôs uma reflexão sobre o chamado “custo de ser mulher“. Gastos relacionados ao ciclo menstrual, exames, cuidados pessoais e investimentos na autoestima podem representar despesas que muitas vezes não são levadas em conta.

A discussão também passou pelo estereótipo da mulher que “gasta demais” com roupas, maquiagem ou beleza. Para Luciana, é preciso questionar se, ao analisar os investimentos financeiros femininos, não se está desconsiderando justamente tudo aquilo que já foi pago para manter a casa e atender às necessidades da família.

“Mulher investe pouco? Então, eu deixo uma reflexão. Ela investe pouco ou ela investe o que sobra depois da casa e depois de pagar o custo de ser mulher? Então, será que, proporcionalmente, a mulher não está investindo mais?”.

Além disso, o dinheiro da mulher não necessariamente é para ela. Segundo pesquisa da Serasa em parceria com a Open Box, 81% das mulheres não tinham reserva de emergência, contra 68% dos homens. Na avaliação de Roberta, é preciso olhar para além da ideia popular de que a mulher simplesmente não sabe guardar dinheiro.


Jailton Jr./JC Imagem

Roberta Sousa, advogada especialista em Família – Jailton Jr./JC Imagem

Muitas vezes, o recurso da mulher é utilizado para resolver problemas de filhos, familiares ou outras pessoas próximas. A maternidade, inclusive, é uma das situações em que a liberdade financeira pode ser colocada à prova, com impactos profissionais, financeiros e emocionais que recaem de maneira desproporcional sobre as mulheres.

Todos os assuntos abordados no episódio 12 do videocast Uma por Uma está disponível no YouTube do JC Play, junto aos demais programas da série, que aborda temas da sociedade a partir das experiências e perspectivas das mulheres.


Jailton Jr./JC Imagem

Luciana Batista, Natalia Ribeiro, Roberta Sousa e Adriane Alves – Jailton Jr./JC Imagem

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