Crédito barato, fácil e farto após a pandemia do Covid-19 potencializou endividamento das famílias no banco, no carnê e cartão de crédito

Crédito barato, fácil e farto após a pandemia do Covid-19 potencializou endividamento das famílias no banco, no carnê e cartão de crédito

Clique aqui e escute a matéria

Uma pesquisa da plataforma SKIM Group ouvindo consumidores brasileiros de fast-food mostra que 52% dos entrevistados precisaram mudar seus pedidos nos últimos 12 meses por razões financeiras, seja comprando menos, escolhendo itens mais baratos ou deixando de fazer determinados pedidos. Diz também: 21,8% substituíram “combos” por opções menores e mais baratas, e 19,2% passaram a usar mais cupons de desconto. A mesma proporção deixou de frequentar restaurantes de fast-food e trocou sua marca favorita por uma alternativa mais barata. E parou de pedir sobremesas.

Não é um fato isolado. Outro levantamento, baseado em 272 semanas de dados de busca do Google Trends, conduzido pelo IBEVAR-FIA Business School, com modelagem estatística e teste de causalidade, identificou uma sequência disciplinada de enfrentamento da crise financeira doméstica, que começa em casa, com o corte de gastos, e só termina, semanas depois, com o pedido de empréstimo.

Fontes da dívida

O estudo mapeou o comportamento de busca das famílias brasileiras em quatro frentes — crédito emergencial e renegociação de dívidas, corte de gastos, geração de renda extra e verbalização explícita de aflição financeira (termos como “como sair das dívidas” e “não tenho dinheiro para”) — para identificar o ponto de inflexão em que o ajuste financeiro deixa de bastar. O estudo revelou que o comportamento do consumidor endividado não começa pelo cartão de crédito como primeira reação ao aperto no orçamento, mas sim pelo último.

Finalmente, um terceiro estudo, desta vez feito por um levantamento feito pela empresa Equifax BoaVista, indica que uma enorme oferta de crédito feita pelo sistema financeiro brasileiro, que entre 2021 e 2025 incorporou quase 26 milhões de novos tomadores de crédito, revela a origem da crise atual.

Aumento de crédito

Para se ter uma ideia, no período, o número de pessoas com crédito ativo passou de 96,8 milhões para 122,8 milhões, alta de 27%, enquanto o saldo das operações cresceu 63,7%, chegando a R$ 4,47 trilhões. E como consequência, a parcela de indivíduos inadimplentes avançou de 19,9% para 26,3%, criando um dos principais desafios da nova fase de inclusão financeira.

Para o analista de mercado Fernando Martins, cofundador da plataforma Core AI, a relação entre ampliação do acesso e aumento do risco não é necessariamente proporcional. O fator determinante, segundo ele, está na qualidade das informações utilizadas pelas instituições para decidir quem recebe crédito e em quais condições. Para ele, a relação entre acesso e risco não é uma equação fixa. Para ele, depende muito da qualidade dos dados usados na decisão.

Dados alternativos

O foco de Martins é a interpretação de dados sobre a lógica para uma parcela maior do mercado. Coisas como dados alternativos, recorrência de pagamentos, renda obtida através de plataformas digitais e histórico de aluguel que podem oferecer visão mais profunda sobre a capacidade de pagamento de consumidores e empresas que tomam e as que oferecem crédito.

Mas ajuda a entender por que o Brasil, depois da pandemia da Covid-19, entrou numa espiral de oferta absurda de crédito e, em seguida, de endividamento. Em 2021, a Taxa Selic chegou a 2% a.a. Em 2025, atingiu 15% a.a.

Na verdade, essa oferta não veio acompanhada de uma disciplina de enfrentamento da crise financeira doméstica, precisão no corte de gastos para se chegar ao empréstimo. O levantamento da Equifax BoaVista entre 2021 e 2025 permite algumas comparações. Em agosto de 2021, o endividamento das famílias, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor – PEIC, da CNC, estava em 72,9%, com 25,6% em atraso e 10,7% se declarando sem condições de pagar.



Mulherfes endividamento – Divulgação

Mais contas

Em agosto de 2025, o número subiu para 78,8%, com 30,4% com parcelas em atraso e 12,8% se declarando sem condições de pagar. Este ano, quando o número chegou ao recorde da série histórica, os números eram: estava em 82,0%, com 29,9% em atraso e 12,5% se declarando sem condições de pagar. Colocando isso em pessoas temos 13.242.600 devendo, 5.186.940 com contas em, atraso e 2.214.230 se declarando sem condições de pagar.

É gente demais e freguês de menos e o governo lendo a situação errada estimulando o credito e o consumo como forma de produzir uma sensação de melhoria. O estudo do IBEVAR-FIA chama a atenção para um dado mais contraintuitivo do estudo: a oferta de mais crédito, como o lançamento do Crédito do Trabalhador.

FGTS no crédito

O estudo adverte que a busca por crédito emergencial e antecipação do FGTS não antecipa a crise financeira — ela reage a uma crise já instalada, e o efeito cresce, não diminui, com o tempo. Seis semanas depois do pico de aflição financeira, a associação com as buscas por crédito é quase o dobro da relação imediata. “As famílias brasileiras mostram os dados, resistem ao endividamento até o limite.” Mas o que fazer quando o governo abre uma nova oportunidade?

O Programa Crédito do Trabalhador é profundamente perverso. Antes dele, a taxa de juros cobrada pelos bancos que tinham convênio com empresas era de 44,0% ao ano em março de 2025. Um ano depois, elas haviam subido para 56,8% depois da promessa do presidente Lula de que a linha de crédito ajudaria o trabalhador do setor privado a sair das mãos de agiotas. Em julho último, as taxas baixaram um pouco para 53,9%.

Taxas altíssimas

Mas o Crédito do Trabalhador virou um novo negócio para os bancos que agora podem oferecer crédito diretamente ao empregado. Em março de 2025 eles tinham emprestado R$ 41,6 bilhões. No final do ano passado tinha emprestado R$ 117,6 bilhões. Na verdade, eles anteciparam o próprio dinheiro que o trabalhador já tinha na conta vinculada do FGTS e cobraram juros de pelo menos 2,5% ao mês, com o empregado tendo o direito de ter todo o saldo da conta sacado na hora da rescisão trabalhista.

As novas regras do Crédito do Trabalhador chamaram a atenção da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN), em parceria com o Instituto Axxus de Pesquisas, ligado à Unicamp, que mostra que 83% dos trabalhadores que contrataram o Crédito do Trabalhador não sabem quanto estão pagando de juros.

Sofrer doméstico

A pesquisa mostrou que entre os 800 entrevistados, 69% não analisaram o impacto da contratação sobre o orçamento familiar e 54% afirmaram não ter recebido qualquer orientação antes de contratar o empréstimo. Outros 36% utilizaram o consignado para quitar dívidas anteriores, como cartão de crédito e cheque especial.

O Crédito do Trabalhador virou um problema para as empresas, uma vez que o trabalhador pode solicitar propostas de empréstimo pela Carteira de Trabalho Digital, sem depender de uma negociação prévia com o RH.

Crise no trabalho

Ou seja: a empresa não participa da decisão sobre quanto o trabalhador vai tomar emprestado, mas precisa administrar os efeitos dessa dívida sobre a remuneração. E como seria previsível, o endividamento excessivo influencia a produtividade, aumenta o estresse, compromete o bem-estar e pode impactar diretamente o clima organizacional.

E como tudo o que é ruim pode piorar, existe agora o impacto no ambiente de trabalho do endividamento provocado pelas bets. Mas esse é um problema que exigiria uma abordagem mais profunda pelo caráter dramático que hoje representa para as famílias dos empregados com carteira assinada e agora também devedores do Crédito do Trabalhador.


Divulgação

Lula recebeu entidades do setor de comércio e de serviços para debater os impactos das bets.j – Divulgação

Lula, a CNC e as bets

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, e o vice-presidente financeiro da Confederação, Leandro Domingos Teixeira, defenderam junto ao presidente Lula da Silva medidas mais rigorosas de controle e fiscalização. O encontro reuniu representantes do governo federal, do setor produtivo e de organizações da sociedade civil. Também participaram o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ministros e representantes de entidades como CNI, Febraban, CNBB, Dieese, Idec, Abrasco e Instituto Alana.

Entre as medidas defendidas pela CNC estão o fortalecimento do combate às plataformas clandestinas, maior articulação entre os órgãos responsáveis pela fiscalização e a redução ou limitação do número de plataformas de apostas autorizadas a operar no País.A Confederação também propõe maior controle sobre os valores apostados e sobre quem pode participar dos jogos, além do endurecimento das regras de publicidade e marketing. Lula ouviu, posou para fotos, mas não se comprometeu com nada.

Etanol hidratado

A Diretoria da ANP aprovou relatório sobre medidas para coibir a adição de etanol hidratado combustível em bebidas, resultado de estudo realizado pela Agência, pedido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e Tribunal de Contas da União (TCU). O estudo da ANP concluiu que a solução definitiva para coibir esse uso irregular do etanol deverá ser a adição obrigatória do benzoato de denatônio ao etanol hidratado combustível.

Mas por ser uma substância extremamente amarga, ela seria detectada pelos consumidores em caso de adulteração de bebidas com etanol combustível. Entretanto, a agência indica a necessidade de comprovação da viabilidade técnica da adição desse produto ao etanol combustível, por meio da realização de testes mecânicos. E devido à necessidade de realização desses estudos mecânicos, não é possível, neste momento, estabelecer prazo para a adoção da medida definitiva.

Sem caminhão

Todo mundo lembra o velho ditado “Sem caminhão o Brasil para”. Pois bem: A crise no transporte rodoviário de cargas está levando à redução do número de empresas em atividade e à redução na compra de novos caminhões. No primeiro semestre de 2026, ao menos 18.711 transportadoras encerraram as atividades no Brasil, segundo levantamento do Serpro com base nos CNPJs da Receita Federal e nos CNAEs relacionados ao transporte rodoviário de carga.

Isso está constatado no número de emplacamentos. Segundo dados da Anfavea analisados pela ILOS, 21,9 mil caminhões foram emplacados no primeiro trimestre de 2026, 27,7 mil unidades, um volume 21,1% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. O número ficou 6,7 mil caminhões abaixo do pico da série, alcançado no primeiro trimestre de 2023, com 28,6 mil unidades.


Thiago Cavalcanti

Japaratinga Lounge Resort terá nova ampliação. – Thiago Cavalcanti

Japaratinga Lounge

A Amarante, proprietária do Salinas Maragogi, Salinas Maceió e Japaratinga Lounge Resort, no litoral de Alagoas, anuncia a expansão do Japaratinga Lounge Resort. As obras da fase 3 do empreendimento têm previsão de conclusão para outubro de 2027. O resort passará de 374 unidades e quatro categorias para 554 unidades em cinco categorias.

Todas as novas acomodações têm decoração inspirada nas Gardens Suites e Exclusives. A categoria Smart, ganhará 74 novos apartamentos, totalizando 219 unidades após a expansão. Já a Standard terá mais 74 habitações, completando 159 unidades, com acomodação para até três pessoas, vista da varanda frente-mar e cama King Size.


Divulgação

RioMar Recife – Divulgação

Semana do Cliente

A campanha da Semana do Cliente, tradicional data no calendário do varejo nacional, acontece entre os dias 13 e 20 de setembro no RioMar Recife, com oportunidades de compras em diversos segmentos no amplo mix de operações do empreendimento. Maestro Spok faz show gratuito na abertura da campanha.

Vendas de Cimento

As vendas de cimento no Brasil alcançaram 45 milhões de toneladas, num crescimento de 1,8% na comparação anual. O despacho por dia útil totalizou 261 mil toneladas, com avanço de 1,9% ante agosto de 2025 e elevação de 4,7% em relação a julho deste ano. A indústria brasileira de cimento comercializou 6,1 milhões de toneladas em agosto de 2026, Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

O mercado de trabalho ainda aquecido e a dinâmica da habitação, especialmente por meio do Minha Casa, Minha Vida. A taxa de desemprego encerrou julho em 5,3%, menor patamar para o mês desde o início da série histórica, em 2012.

Iquine na FICONS 

A Tintas Iquine participa da XIV Feira Internacional de Materiais, Equipamentos e Serviços da Construção – FICONS, que acontece a partir da próxima terça-feira(15) no Pernambuco Centro de Convenções. O espaço tem como tema “Arena IClub”, em referência à plataforma de relacionamento dedicada aos pintores e que oferece uma série de palestras gratuitas para esse público.

RJ do Turatti

O grupo cearense Turatti, dono de cervejarias e restaurantes em Fortaleza, teve pedido de recuperação judicial aprovado pela Justiça do Ceará nesta terça-feira (8), com dívidas que ultrapassam R$ 12 milhões. Compõem o pedido de recuperação judicial as empresas Toscana Participações, Santa Fé Cervejaria, Toscana Cervejaria, Toscana Administração de Imóveis, Chope ao Vivo, Cervejaria Turatti, JPP Serviços e JPR Serviços. O grupo emprega 240 funcionários.


Divulgação

Grupo cearense Turatti pediu recuperação judicial. – Divulgação

 

 

Link da fonte aqui!

Veja também: