O jato que os levou de Puerto Iguazú, na Argentina, até Miami foi providenciado por Jason Miller, funcionário de comunicação da Casa Branca. O jato voou, no fim da noite de terça (27/10), da Argentina para o Equador, onde abasteceu, e depois seguiu para Miami. Irmão de Flávio, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro manteve contato com Miller durante a operação. O plano foi colocado em prática na segunda (26/10).
Flávio decidiu acionar o irmão e funcionários de Trump depois que foi notificado pela Polícia Federal (PF) para entregar seus passaportes (comum, diplomático e italiano). A PF fez o pedido de ordem judicial ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no bojo do inquérito em que Flávio é investigado com o advogado e empresário Willer Tomaz por suposta lavagem de dinheiro – Willer é suspeito de lavar mais de US$ 1 bilhão por meio de esquema envolvendo bets.

O magistrado concordou com a alegação de risco de fuga de Flávio, já que Willer deixou o Brasil em agosto, também em direção a Miami, e nunca mais voltou. Flávio não foi acusado formalmente de nada, muito menos havia mandado de buscas contra ele. Mas seu mandato termina em janeiro de de 2027. A partir de então, poderá enfrentar processos relacionados a esta e outras investigações criminais, como o que envolve o dinheiro para o filme “Dark Horse”, sem desfrutar de imunidade parlamentar.
Ainda na segunda-feira, Flávio Bolsonaro deu declarações públicas afirmando que entregaria os documentos e jamais deixaria o Brasil, pois ficaria seria líder da oposição a Lula. Mas o prazo acabou na manhã de terça (28/10), sem que ele entregasse os passaportes nem aparecesse publicamente. Ao mesmo tempo, a imprensa argentina noticiava que um jato o esperava em Puerto Iguazú, com destino a Miami.
A informação sobre o envolvimento do governo Trump na ida de Flávio para os EUA foi divulgada nesta quinta (29/10) pelo “New York Times”, o mais respeitado jornal dos EUA. Reportagem assinada por quatro jornalistas do veículo e outros cinco colaboradores diz que, após receberem visto de status temporário concedido por ordem de Trump, Flávio, a mulher e as duas filhas, de 12 e 14 anos, devem ganhar residência permanente.
Ainda na quarta, quando a família voava em direção a Miami, o presidente dos EUA afirmou que o político brasileiro recebeu uma “autorização especial” para entrar no país. “Nós demos a ele [Flávio] uma autorização para entrar no país, então veremos. Mas eu não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, disso eu tenho certeza”, disse Trump na quarta, ao ser questionado sobre Flávio Bolsonaro nos EUA. Desde a derrota do aliado, Trump vem dando declarações ambíguas sobre a eleição brasileira. Até esta quinta, ele não havia reconhecido a vitória de Lula.


