A eleição do Recife em 2028 pode repetir mesmo sistema da de 2022 em Pernambuco

A eleição do Recife em 2028 pode repetir mesmo sistema da de 2022 em Pernambuco


Se João tivesse sido eleito teria todas as condições de reeleger Victor Marques, mas ele não só perdeu para governo como ganhou por pouco na capital

por TEREZINHA NUNES do BlogDellas Especial para o JC

Depois de experimentar eleições seguidas em que só dois candidatos se sobressaiam, não havendo chance para uma terceira via, a eleição de 2022 para governador de Pernambuco surpreendeu quando três prefeitos de grandes cidades – Raquel Lyra, Miguel Coelho e Anderson Ferreira – renunciaram ao mandato para concorrer e a aliança do PT com o PSB em torno do candidato Danilo Cabral não impediu que, em voo solo, a deputada federal Marília Arraes se filiasse ao pequeno partido Solidariedade, dividisse a esquerda e permanecesse em primeiro lugar nas pesquisas até ser derrotada por Raquel no segundo turno.

A eleição para prefeito do Recife em 2028 pode seguir o mesmo caminho a julgar pelo que está posto até agora sobretudo após o resultado da eleição deste ano que incensou lideranças à esquerda e à direita e não há predominância de um nome capaz de se sobressair ao ponto de evitar a diversificação de pretendentes de todos os matizes. Se o ex-prefeito João Campos tivesse sido eleito governador teria todas as condições de reeleger seu ex-vice e atual prefeito Victor Marques, do PCdoB, mas ele não só perdeu para governador como ganhou por muito pouco para Raquel na capital quando tinha saído da reeleição em 2024 consagrado por quase 80% dos votos recifenses. Coisa até então nunca vista.

Dani e Moura saem na frente

No calor das comemorações pelas votações recebidas este ano, os deputados eleitos Dani Portela, do PT, a mais votada para a Alepe e vereador do Recife Eduardo Moura, do Partido Novo, já manifestaram o desejo de topar a parada. No seu comitê logo após a vitória que obteve Dani fez um discurso entusiasmado afirmando que agora sua meta é a Prefeitura do Recife e depois o Governo do Estado: “Recife vai ter uma mulher negra como prefeita” – disse acrescentando que uma mulher negra também poderia chegar a governadora. Mais claro, impossível.

Do seu canto, a governadora Raquel Lyra cuidou de incensar o seu lado político referindo-se à sua vice Priscila Krause, que foi vereadora do Recife e candidata a prefeita há alguns anos “ Priscila é a filha do Recife que nunca teve a chance de entregar o que a cidade precisava” – soltou a governadora em uma entrevista logo após a reeleição, o que foi interpretado com um sinal de preferência. Mas os nomes que estão surgindo não ficam por aí.

Disputa pulverizada

O cientista político Felipe Ferreira Lima afirma que é cedo para definições mas acredita em disputa pulverizada: “Acho que o quadro provável tenha Victor Marques como candidato à reeleição como herdeiro da gestão João Campos mas sem a expressão política do padrinho, que precisará mergulhar na campanha. Raquel Lyra pode lançar Priscila Krause como candidata do partido governista mas tem Túlio Gadelha como opção, mesmo depois de derrotado para o Senado. À direita Eduardo Moura chega fortalecido pela eleição para deputado federal mas é seguido por Gilson Machado que disputa o mesmo eleitorado e também teve bom resultado nas urnas”.

– O PT deve querer lançar candidatura própria embora esteja dividido internamente entre Dani Portela, um nome possivelmente mais próximo a João Campos, e o ex-prefeito João Paulo, mais bem posicionado junto à ala antiga e visto com simpatia por Raquel Lyra. Some-se a isso Marília Arraes, do PDT, senadora mais votada na capital que pode se colocar como candidata ou impulsionar alguém. Minha leitura é de que saímos de uma eleição estadual polarizada para uma municipal possivelmente fragmentada no primeiro momento, com tendência de redução para três ou quatro candidaturas competitivas via alianças, mas dificilmente teremos um duelo de dois nomes”- conclui.

Os votos de cada um

Como prevê Felipe Ferreira Lima, é possível que aconteçam movimentos de aglutinação que favoreçam candidatos como o atual prefeito Victor Marques e a vice Priscila Krause, se ela se candidatar – o obstáculo é deixar a governadora sem vice. No caso de Victor, em entrevista esta semana a este blog, a senadora do PT, Teresa Leitão, já defendeu que na eleição municipal os partidos que apoiaram o presidente Lula no primeiro turno disputem juntos nas grandes cidades. E deixou claro o interesse da esquerda em Olinda e Paulista. Dito isso, embora a senadora seja defensora de João Campos, o que não é unânime no PT, ela acena para a possibilidade de acordo com Victor Marques que deve tentar a reeleição no Recife.

Da mesma forma também em entrevista a este blog o presidente estadual do partido Novo, Técio Teles, deixou claro que o seu partido tem um nome que é Eduardo Moura mas considera cedo para considerações sobre 2028. Teles é muito ligado a Priscila e dificilmente deixaria de discutir uma aliança com ela se for o caso.

Já o resultado da eleição deste ano considerando apenas o Recife mostrou que a deputada estadual Dani Portela que se elegeu estadual com 146 mil votos teve no Recife, onde também ficou em primeiro lugar, 60.131 votos. Em seguida veio Gilson Filho com 46.487 votos. Na eleição para deputado federal o mais votado na capital foi Jones Manoel, do PSOL, com 81.364 votos. O segundo foi Pedro Campos com 72.444 e o terceiro Eduardo Moura com 54.534. O ex-ministro Gilson Machado teve 41.982 votos.

Movimentos nacionais

A cientista política Priscila Lapa chama atenção para os movimentos nacionais que precisarão ser observados nas eleições municipais sobretudo nas capitais e grandes cidades.

Apesar disso ela chama atenção para “um ciclo politico com maior heterogeneidade, dado o fortalecimento das frentes de esquerda e direita com o protagonismo de nomes como João Paulo e Dani Portela, no campo progressista e com Eduardo Moura e Gilson Machado, pai e filho, no campo conservador”.

Lembra, no entanto, que “a governadora Raquel Lyra também tem seu núcleo politico atrativo podendo formar uma aliança forte para a disputa municipal. Já o PT tem a oportunidade de reinventar a sua relação com o PSB para ter maior protagonismo na disputa local mas a força da relação de João Campos com Lula pode ser um empecilho para isso. Os próximos movimentos nacionais também precisam ser acompanhados para avaliar as possibilidades para as alianças locais em 2028”. A ver.

Link da fonte aqui!

Veja também: