Tensão entre EUA e Irã oscila entre ameaça de guerra e negociações no Paquistão

Tensão entre EUA e Irã oscila entre ameaça de guerra e negociações no Paquistão

Enquanto Islamabad prepara rodada de diálogo, Donald Trump sinaliza mudança de regime e mercados europeus recuam sob risco de nova escalada militar

Por

JC


Publicado em 20/04/2026 às 13:44

Clique aqui e escute a matéria

*Com informações de Estadão Conteúdo

O governo do Paquistão confirmou nesta segunda-feira (20) que o Irã demonstrou disposição para enviar uma delegação a Islamabad, capital do Paquistão, nesta semana para uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos.

Apesar do otimismo cauteloso de mediadores paquistaneses, o cenário de distensão convive com ameaças diretas de Washington e instabilidade nos mercados globais.

O vice-presidente americano, JD Vance, deve liderar a comitiva dos EUA na tentativa de evitar o fim do cessar-fogo, previsto para expirar nesta terça-feira.

Trump condiciona futuro a “mudança de regime” e faz ameaças

Em postagem em sua rede social, a Truth Social, o presidente Donald Trump elevou o tom contra Teerã, descartando influências externas sobre sua estratégia militar e citando o ataque de 7 de outubro como justificativa para impedir o programa nuclear iraniano.

“Israel nunca me convenceu a entrar na guerra com o Irã; os resultados de 7 de outubro, somados à minha opinião de longa data de que o Irã nunca poderá ter uma arma nuclear, o fizeram. Assim como os resultados na Venezuela, sobre os quais a mídia não gosta de falar, os resultados no Irã serão incríveis — e se os novos líderes do Irã (mudança de regime!) forem inteligentes, o Irã pode ter um futuro grande e próspero!”.

O presidente americano alertou ainda que, caso o diálogo fracasse, “muitas bombas começarão a explodir”. O novo impasse ocorre após o Irã fechar o Estreito de Ormuz, alegando manutenção do bloqueio naval americano, e a apreensão de uma embarcação iraniana pelos EUA.

Lula critica paralisia da ONU e alerta para escalada regional

Em visita oficial à Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou “extrema preocupação” com a possibilidade de uma guerra aberta no Oriente Médio e os reflexos no Líbano. Ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, Lula voltou a cobrar reformas nos organismos internacionais.

“Estamos profundamente preocupados com os riscos da retomada do conflito do Irã e da escalada no Líbano. A sobrevivência do Estado Palestino e de seu povo segue ameaçada. Na Ucrânia, a almejada paz permanece cada vez mais distante. A ONU está mais uma vez paralisada”.



Na Alemanha, Lula defende pioneirismo de biocombustíveis brasileiros – Ricardo Stuckert/PR

Além do cenário geopolítico, o presidente brasileiro defendeu que o país deve processar minerais críticos em território nacional, buscando autonomia tecnológica em infraestruturas digitais e inteligência artificial.

Incerteza derruba bolsas europeias e pressiona preço do petróleo

O receio de que as negociações no Paquistão não prosperem gerou uma onda de cautela no setor financeiro. As principais bolsas da Europa fecharam em queda, impactadas pela volatilidade energética:

  • Frankfurt (DAX): -1,04%
  • Paris (CAC 40): -1,12%
  • Milão (FTSE MIB): -1,36%
  • Londres (FTSE 100): -0,55%

O mercado de energia projeta que o petróleo possa retornar à faixa dos US$ 100 por barril caso a crise no Estreito de Ormuz se prolongue. Como reflexo, ações de petroleiras como Shell e BP registraram alta, enquanto o setor de aviação sofreu perdas superiores a 3% devido ao aumento projetado nos custos de combustível.

Link da fonte aqui!

Veja também: