Curaçao, paraíso fiscal do Caribe está na origem das bets no Brasil que Polícia Federal identifica como destino do dinheiro que empresas escondem do Fisco

Curaçao, paraíso fiscal do Caribe está na origem das bets no Brasil que Polícia Federal identifica como destino do dinheiro que empresas escondem do Fisco

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Na década de 60, quando os militares assumiram o governo, os jornais do Brasil passaram a usar de forma camuflada um espaço pequeno incrustado nas páginas dos classificados direcionado ao movimento dos navios que chegavam aos portos.

O nome da sessão era “Aviso aos Navegantes.” Era nela que, de forma cifrada, eram publicadas notícias sobre prisões, desaparecimentos e operações sempre de forma cifrada. Pouca gente lia, mas quem acessava a página sabia do que viria a seguir.

Plataformas digitais

Se existe nas atuais plataformas digitais na Internet a seção Aviso aos Navegantes, certamente traria informações cifradas sobre como o governo Lula, o Ministério da Fazenda, a Receita Federal, o Ministério Público Federal estão desenhando o futuro para o setor de apostas esportivas que o público chama de bets quando seus impactos se tornaram tóxicos.

Isso pode explicar (em parte) a operação da Polícia Federal que aconteceu na manhã desta sexta-feira (28), quando foi deflagrada a Operação Jogo de Sombras com o objetivo de apurar supostos crimes de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionados à exploração de apostas de quota fixa (bets).



Operação Jogo de Sombras em vários estados. – Divulgação

Pernambucanos

A operação inicialmente mira na dona da Betnacional, o grupo NSX Brasil, objeto de apuração nas cidades de João Pessoa (PB), Recife (PE) e São Paulo (SP). Os fundadores da empresa criaram a marca Betnacional, depois adquirida pela gigante NSX são os empresários pernambucanos João Guilherme Monte Studart e Eduardo Lima Monte,

O que pouca gente sabe é que 10 entre 10 empresas que conseguiram aprovação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda tinham operações registradas em Curaçao, um paraíso fiscal no Caribe, que, até o dia em que o Brasil legalizou suas bets, operava.

Serviços digitais

A explicação pela opção de Curaçao é simples. O governo da ilha cobra a menor taxação entre os paraísos fiscais do Caribe e tem uma sofisticada infraestrutura de transmissão de dados.

Na verdade, Curaçao é um importante hub de conectividade no Caribe, servindo de ponto de parada e interconexão para vários grandes sistemas de cabos submarinos de fibra óptica. A ilha possui uma infraestrutura de telecomunicações de última geração com mais de 6 cabos de fibra submarina.


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Curacao e pariaos fiscla para bets. – Divulgação

Estrutura de TI

Em português claro: Em Curaçao é possível contratar serviços internacionais de transmissão de dados que permitem a uma bet rodar seus jogos como se estivesse numa rede que atua no Brasil. A chamada latência é quase perfeita. Isso fez com que as empresas brasileiras que entraram no segmento de jogos se registrassem em Curaçao.

Claro que o governo brasileiro, quando aprovou o funcionamento das bets, acreditou que as empresas de Curaçao fossem canceladas, o que aparentemente não aconteceu. E, como nesse mercado nada acontece sem que o Fisco esteja olhando, não demorou muito para se perceber que as atividades internacionais continuaram.

Rota de dinheiro

Oficialmente, a Receita Federal está dizendo que foram identificados indícios da utilização de instituições de pagamento e de operações financeiras estruturadas para a movimentação de recursos entre o Brasil e o exterior (Curaçao).

Também segundo a Receita Federal, parte desses valores teria retornado posteriormente ao país sob a forma de pagamentos por prestação de serviços, em possível mecanismo destinado a justificar a repatriação de recursos anteriormente enviados ao exterior.


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Operação Jogo de Sombras. – Divulgação

De matriz a escritório

Ou seja: Curaçao deixou de ser a matriz para ser um escritório financeiro internacional. Tanto que as investigações até agora apontam que a NSX teria constituído uma empresa de fachada em Curaçao com o objetivo de simular que a operação da plataforma ocorria fora do país em período anterior à regulamentação do segmento.

Isso é injusto com a empresa e com o setor de bets. Na verdade, as demais empresas do setor que atuavam como bets antes da legalização tinham sedes em Curaçao.

Gigante de jogos

Hoje todo mundo sabe que a Betnacional é uma subsidiária da Flutter, empresa escocesa listada na Bolsa de Nova York. A multinacional pagou R$ 2 bilhões por 56% da companhia brasileira, uma das dez maiores do país, segundo dados da consultoria H2 Gambling Capital.

Quando, em 2024, houve a fusão entre NSX e Flutter, viabilizando a criação da Flutter Brasil, a operação foi anunciada como sendo de um bilhão de libras, equivalente a R$ 6 bilhões. Mas é importante observar que a investigação das autoridades sobre a NSX Brasil é apenas o começo de uma ação maior que está analisando todo o setor.

Legalização falsa

O presidente Lula é uma das pessoas que mais vêm sendo pressionadas por diversos segmentos contra a operação das bets. Ele se considera enganado com as informações que recebeu com o discurso de que a legalização eliminaria a saída de dinheiro para Curaçao. O que pode explicar que os primeiros dados da investigação estejam sendo abertos agora.

Desde que disse que se arrependeu de ter aprovado as bets. Lula não para de receber relatórios e pesquisas sobre o impacto da ludoterapia na doença do vício em jogos. No fundo, o governo descobriu que pressionar as bets pode ser um bom assunto para Lula trabalhar na campanha.

O Aviso aos Navegantes parece que foi dado hoje.


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Grupo Dislub Equador entrando no mercado de geração de energia térmica. – Divulgação

Dislub Equador

O Grupo Dislub Equador está ampliando a participação no setor elétrico com dois novos projetos termelétricos a gás natural. Investiu R$ 600 milhões numa participação minoritária em usinas vencedoras da gestora Opportunity, na Bahia e no Mato Grosso. A BRG Geradores é sócia do Dislub Equador, onde atuará como operadora do ativo estimado em R$ 1 bilhão.

Simples Nacional

A partir desta terça-feira (1º), micro e pequenas empresas devem se atentar ao novo calendário da Resolução CGSN nº 186/2026. A norma antecipa para 30 de setembro o prazo de adesão ao Simples Nacional para 2027 — extinguindo o histórico período de janeiro — e abre a primeira janela semestral para definir se o recolhimento do IBS e da CBS será feito pelo regime simplificado ou pelo modelo regular. Os optantes atuais têm renovação automática e as regras do MEI seguem inalteradas.

Isenção da AFRMM

Aprovado pela Câmara dos Deputados e em análise do Senado, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 80/2026 assegura a cobrança do Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) até 2032. O benefício foi criado em 1997, por meio da Lei 9.432, inicialmente com duração de dez anos. Em 2007, a Lei 11.482 prorrogou o prazo até 2022. Posteriormente, a Lei 14.301/2022 estendeu a vigência até janeiro de 2027, beneficiando as empresas que utilizam portos do Norte e do Nordeste.

Proteção de Dados

O Recife recebeu pela primeira vez o Fórum de Proteção de Dados Pessoais dos Municípios. O encontro reúne representantes de municípios, especialistas, gestores públicos e instituições parceiras de quinta-feira(27) a sexta-feira(28), no Mar Hotel, em Boa Viagem. Entre os temas debatidos estiveram o diagnóstico realizado pelos Tribunais de Contas do Estado de PE e do RS sobre o papel da segurança na LGPD, cibersegurança e soberania digital.


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Vin Club Premiere em nova excursão. – Divulgação

Enofilia & Negocios

Os empresários Beatriz e Guilherme Guerra, junto aos sócios Lucian Fragoso, Sandro Guedes e André Coutinho, comandam neste sábado (29), em Gravatá, o encerramento da 3ª temporada de piqueniques do Vin Club Premiere. O encontro reúne membros do clube e da confraria exclusiva Privilegium. Com o início das obras do complexo imobiliário e da vinícola nas próximas semanas, o projeto mira um 2027 marcante, que terá como auge a primeira colheita e produção própria de vinhos do empreendimento.

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